Visto o branco da folha e escrevo com o corpo,
com o corpo que amo cometo sacrilégios.
Sou aquela que escreve e te oferta privilégios,
louvores,
meu Senhor
mesmo povoada cidade vazia pede preces!
Meu amor é oração.
Meu corpo é danação.
Sob teu doce domínio.
Mil demônios,
mil anjos,
denominei.
Não houve salvação!
Flutuei branca-lua e tive essa visão na vigília.
Prenhez que gera a noite,
sou Lua que ofusca
na noite que ele me visita.
Às vezes escândalo, eclipse
soturno
saturno
anéis.
Tua fala torna a minha voz trêmula,
corpo-oferenda-escritura,
nome se esgota na tecedura.
Envolve-me mais que a pele ao pêssego,
e assim vibro inteira.
Cega pela luminosidade tateio
sem pressa.
Refém da doce liberdade.
Anna Amorim,2000