sábado, 25 de setembro de 2010

O que é específico da mulher?























O que é específico da mulher?
Seu andar convidativo...
Uma ameaça, uma promessa?
A possibilidade de abertura de suas ancas
para passagem de outro ser!
Ser!

O que é específico do seu ser?
Uma umidade antes do gozo,
sua voz aveludada...
Oscilante.
Toda.
Não.
Seus pedidos aflitos?
Mitos?
Ter a princípio amado à outra?

Como falar da mulher sem falar do seu corpo?
Sem cair na sua tentação...
Na ilusão de sua suposta perfeiçao!
Tudo que É.

Anna Amorim, 1998

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Origem



E o sexo foi descoberto!
Quando a mim? Re-crio o amor,quando ele entra dentro de mim, quando repousa em mim.Quando sou EU-ELE. Paraíso que vivo recortado neste inferno que é o mundo contemporêneo.
Para isso, eu vivo.
(Anna Amorim, setembro, 2010)

sábado, 18 de setembro de 2010

SER Mulher



























Suave
Doce
Amarga
Chorosa
Engraçada
Nervosa
Suspiro
Suspende
Suspense.

Pegajosa
Escorregadia
Preocupada
Assustada
Aterrorizada
Serena
Tardia
Endurecida
Macia
Seca
Umedecida
Fria
Quente
Triste
Sombria
Serena
Enigma
Suspense
Suspende
Suspiro
Doce

Suave
Eteréa
Carnal
Fascinante
Falante
Atordoante
Inebriante
Estando
Sendo
Compondo
Cedendo
Tecendo
Querendo
Desejando
Sendo
Ultrajante
Intrigante
Suspense
Suspiro
Doce
Mulher.

A escrever
A desejar
Ao SER
Mulher.

(Anna Amorim, junho, 1998)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Beijar-te



Beijo-te os lábios carnudos
e sorvo tua língua,
saliva e volúpia.

Onde o desejo do gozo rege as leis
dos quereres indizíveis.

Quero mais que um começo,
quero que chegue no meio
e dentro de mim conheça uma nova vida.

De lembranças de prazer e gozo,
de ternura e eternidades
nunca antes vividas.

Escreva outros caminhos no meu corpo.
Leio você.
Durmo com você.

A vida transcorre e sigo
por nossos dias.
Anna Amorim, set,2010

sábado, 4 de setembro de 2010

Uma mulher



















Ela vem sorrateira,
a vida é frágil.
Tento pegar o compasso,
fazer desenho de vida,
mas minhas mãos constroem
espasmos de morte
antecipados.

Tudo.
Os outros.
Eu.
Ele.
O amor.
Nada existe!
Só ela é real.
Se ao menos soubesse a data do nosso encontro...
Por que me faz esperar tanto?
Se há anos te desejo...
Fria,
igual a todos .
Inigualavelmente real.

Durmo mal todas as noites,
mas insisto.
Deveria ir ao encontro dela,
mas ás vezes a vida parece sorrir para mim.
Deixo-me levar
porque desejo que seja verdade.
Uma vez!
Que seja.
Acreditar na beleza de uma flor,
em Deus,
no amor.
Acreditar como criança inocente que nunca fui,
nascer de novo.

Venha prender-se nos meus cabelos,
no dia,
na noite.
Eu sou a Lua.
Eu sou o Sol.
Ofusco com minha luz,
escondo a escuridão.

Silêncio!
Ouço gargalhadas.

Grito.
Sou arvore seca,
palma dilacerada.
Um verso em vão.
Sou dor.
Sou desgraça.
Sou ameaça.
Sou aquela que espera.

A solidão é o máximo que posso chegar.
Ou me diz uma palavra e muda tudo!

Sou a origem do mundo.
Sou a carne do verbo.
Uma pequena menina.
Uma mulher selvagem.
Uma grande mulher.
Uma mulher,
apenas
uma mulher.
Anna Amorim, 2009