A falta nos conduz ao desejo. Conduz-nos a fome de viver. Contudo, há uma linha tênue que pode nos conduzir a paranóia. Infelizmente o ano novo pode facilitar e nos “pregar peças”. Entre o que queremos conservar e mudar entramos em conflito e tudo ganha uma lente de aumento, e pior , na maioria das vezes extremamente distorcida.
Escrevo para você leitor, para que NÃO CAIA NESTA ARMADILHA. A folhinha mudou, você quer mudar algumas coisas, mas calma. Você é fruto de uma história e teu psiquismo funciona através de processos não PODE, não DEVE ser guiado pelo calendário sobre a mesa calado e sem conflitos.
Este balanço rápido e ansioso que fazemos durante a passagem da tão almejada férias foi baseado numa cronologia, não tem como respeitar desejos mais profundos e enraizados, desejos que o calendário não alcança numa simples virada de página. Tua sabedoria foi acumulada durantes anos, mas agora a ansiedade turva tua visão.
Ainda sob efeito de encontros familiares bem ou mal-sucedidos, quase sempre atolados em emoções contraditórias, férias e expectativas acumuladas da tão sonhada perfeição que não existe, encontros amorosos que foram desencontros pela máxima de que este ano tudo tem que ser diferente, pare e questione: diferente do quê? Você estava construindo algo pacientemente e por escolha, escolha refletida baseada em sentimentos profundos. CUIDADO pode destruir sonhos acalentados, pode sucumbir ao desgosto das esperanças não realizadas imediatamente, mas que aconchegavam e te impulsionavam para frente, pode se precipitar e o ano novo te leva a repetição do medo e sem perceber inconscientemente repete o medo de outrora.
CONSTRUA, questione, mas não deixe de valorizar a CONTINUIDADE. CONTINUIDADE de tua vida, do teu desenvolvimento, dos teus laços construídos com luta, perspicácia, cautela. Você é um continum no espaço-tempo.
VOCÊ é continuidade e mudança, vida e esperança. Morte e renascimento a partir de tudo que É, tudo que foi, tudo que já construiu é que SERÁ, só assim é possível o novo. Não se engane pelas falácias do novo que não abriga o ano anterior e todos os outros anos. Reveja projetos, mas não os desfaça, re-construa, construa, renove-se, mas conserve o que de dava prazer, apesar das ambigüidades, apesar dos conflitos, apesar das dúvidas, pois são elas que te fazem ser sensível, te fazem desejar e SER.
Anna Amorim, janeiro, 2011


Olá querida, Sábias palavras.
ResponderExcluir"Esperar é reconhecer-se incompleto."
(J. Guimarães Rosa)
Abç!
Olá querido,
ResponderExcluirQue prazer tê-lo como o primeiro seguidor neste meu retorno aqui! Tua sensibilidade e perspicácia se revela mais uma vez através da frase que me presenteou.
Breve te visitarei para beber da tua fonte!
Abço!
somos amálgama de nós mesmos, da nossa re-contrução e desconstrução,
ResponderExcluirbeijo
Bom dia Anna!!
ResponderExcluirNossa!!Estou me sentindo assim...
Adorei o texto!!Cada palavra me fez refletir!!
Re-construir...renovar.
Obrigada!!
Beijos
Boa semana!!
Bem vinda de volta!!
Assis,
ResponderExcluirBom tê-lo por aqui com tua leitura cuidadosa e perspicaz.
Ansiosa por ler e reler teus poemas.
Beijo
Bom dia sensível mulher e companheira destes caminhos de troca pelas letras!
ResponderExcluirFeliz em estar de volta e reencontrar você aqui presente e mais ainda que meu texto tenha feito sentido para você!
Beijos e até breve SEMPRE!
Anna minha querida, a vida sempre nos impulsiona, sempre nos faz caminhar, queiramos ou não.
ResponderExcluirCaminhar é preciso, viver também é preciso (contrariando o poeta)
Abraços ótima semana
Interessante e reflexivo o post...grande beijo de bom dia pra ti.
ResponderExcluirJanaína,
ResponderExcluirAprendi que magia é isso! Estar vivo não é fácil, mas a possibilidade do caminhar me impulsiona SEMPRE!
Forte abraço.
Everson,
ResponderExcluirFeliz que meu texto ecoou em você!
grande beijo pra ti
Ótimo texto, me fez lembrar daquela música "Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter..."
ResponderExcluirAs marcas não podem tornar-se cicatrizes e os sonhos não podem transformar-se em pesadelos, não pela nossa vontade que muitas vezes torna-se o pior inimigo de nossas realizações.
Sempre seremos parte passado, parte futuro, como uma árvore que finca suas raízes no solo, mas projeta seus braços no ar e desfruta do momento de ser a cada dia, cada estação.
Beijos Mágicos, Menina Maluquinha [:)]
...tambem eu quero sair das entranhas da terra, nem que seja por um só instante...
ResponderExcluir...quero fazer do meu sonho realidade nem que seja apenas por um dia.
Bjs com carinho
No essencial concordo com o teu ponto de vista.
ResponderExcluirA propósito da "mudança da folhinha", e do "ano novo vida nova", escrevi:
Abrimos o caderno
onde apontamos o futuro
e fazemos uns traços coniventes
nas metas não cumpridas
do ano que acabou.
Fingimos para nós próprios
querermos desfraldar
a bandeira da mudança
e projectamos firmamentos siderais
com o fulgor de campeões.
Juramos para o corpo temperanças
e abonamos bons modos
de alma arrependida,
a par de uns quantos sonhos
na modéstia da esperança.
Como indolentes sabidos que somos,
a cabeça fica leve
com o peso arrumado num recanto,
porque somos a força que nos deixa.
Beijos, querida amiga.
Querida amiga
ResponderExcluirHá lições tão repletas
de verdades,
que fica difícil acrescentar sobre elas
outras palavras.
Resta-nos alimentar nossas vidas
com as suas essências e multiplicá-las.
Que as cores da alegria
estejam sempre em tua vida.
Sim Anna é isso, muita calma nessa hora e pensar antes de sair batendo a cabeça querendo grandes mudanças.
ResponderExcluirabç
Querido Danny,
ResponderExcluirAdorei a associação com a música.
Precioso teu comentário, reflete o que desejei passar com palavras e imagem.
Beijos mágicos SEMPRE.
Interessantíssimo o artigo.
ResponderExcluirMais ainda tê-la como seguidora. E eu nem sabia disso!
Duas gratas surpresas.