domingo, 30 de setembro de 2012
Uma Cena - Olga Savary
Vês acordada como em sonho
o sonho mau tal fosse belo
— o belo horror do rea
que nem consciência nítida
ou lúcida, clara, exata,
não como é visto sol a pino
ou através da água,
como quem vê dentro do mar
ou através de um vidro fosco,
mais, no fundo de um espelho,
não o que mostra a imagem
mas aquele que a deforma
inteiro fora de foco.
Olga Savary
En Nós - Danny Marks
Ontem quando não havia amanhã
no tempo que em “hoje” escorria
sombras insones de dias,
não, não era eu quem dormia.
Depois, com sua ajuda,
andando claudicante
fui avançando, sempre adiante.
Mundo, mundo, vasto mundo
Que nome tenho?
E agora? José?
Manoel? Lino, talvez?
Não importa mais quem sou
Todos em um, sonho
Um em todos, exemplo
Mundo sem fim
No fim, motivo de tudo
Por fim, juntos, nos justificamos
No instante de nós
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Oficina de Criação Poética
EM TEMPO!
Amigos, em tempo quero contar que estou fazendo a Oficina do Edson Cruz, convido a todos que moram em São Paulo a conferir o conteúdo.
O que é a poesia? Partindo da questão que ele fomentou e instigou vários poetas a responder, o escritor e editor do Portal Musa Rara,
Edson Cruz, elaborou uma oficina que tem como centro a criação poética
abordada na perspectiva triádica que a fundamenta e a justifica: o
poema, a poesia e o poeta.
O curso é formado sobre dois eixos:
1. Características da poesia: do
que é feita? (material); Com o que se parece? (aspectos formais); Para
que serve? (causa final); Quem a faz? (causa poiética).
• As distinções fundamentais entre a prosa e a poesia.
• As formas fixas na poesia. A estrutura do soneto. A canção. A oralidade.
• Definições para quem gosta delas. O que os poetas dizem sobre o fazer poético.
• Exemplos práticos (análise e construção). Sonetos de Petrarca, Camões, Augusto dos Anjos e Glauco Mattoso.
• A poesia moderna. Temática. A métrica. O Verso branco. O enjambement.
• Análise de alguns poemas emblemáticos (Ferreira Gullar, Drummond, Manuel Bandeira, Augusto de Campos, Fernando Pessoa, João Cabral, Manoel de Barros, Leminski, Borges)
• Haicai: uma homenagem a síntese. O caso Matsuo Bashô.
• A Poesia Concreta e a Internet.
• Função poética e Jakobson.
• As formas fixas na poesia. A estrutura do soneto. A canção. A oralidade.
• Definições para quem gosta delas. O que os poetas dizem sobre o fazer poético.
• Exemplos práticos (análise e construção). Sonetos de Petrarca, Camões, Augusto dos Anjos e Glauco Mattoso.
• A poesia moderna. Temática. A métrica. O Verso branco. O enjambement.
• Análise de alguns poemas emblemáticos (Ferreira Gullar, Drummond, Manuel Bandeira, Augusto de Campos, Fernando Pessoa, João Cabral, Manoel de Barros, Leminski, Borges)
• Haicai: uma homenagem a síntese. O caso Matsuo Bashô.
• A Poesia Concreta e a Internet.
• Função poética e Jakobson.
2. Exercícios e discussões em
grupo: a abordagem do módulo é iminentemente prática, mas sem prescindir
dos aspectos teóricos. Escrever é antes de mais nada aprender a pensar e
a questionar.
• Como analisar um poema. Exemplos e exercícios.
• O soneto como a forma fixa mais tradicional. Exercitar.
• Transformando um texto de jornal em poema.
• Criação de metáforas. O som e o sentido.
• Concisão. O haicai como exercício poético. A renga.
• Composição de poemas a partir de sugestões imagéticas.
• Poema com repetição de uma definição.
• Fazer um poema do sonho alheio.
• A importância do blogue como exercício de criação.
• O mercado editorial: sua lógica e especificidade.
• Dicas para a primeira edição.
• O soneto como a forma fixa mais tradicional. Exercitar.
• Transformando um texto de jornal em poema.
• Criação de metáforas. O som e o sentido.
• Concisão. O haicai como exercício poético. A renga.
• Composição de poemas a partir de sugestões imagéticas.
• Poema com repetição de uma definição.
• Fazer um poema do sonho alheio.
• A importância do blogue como exercício de criação.
• O mercado editorial: sua lógica e especificidade.
• Dicas para a primeira edição.
Ao final do curso, será publicada uma coletânea dos melhores poemas compostos pelos alunos pela Terracota editora.
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A quem se destina
Escritores, redatores publicitários,
jornalistas e blogueiros interessados em saber mais sobre o gênero e
trabalhar intensivamente em seus textos.
Vagas disponíveis: 18
Quando: 2 meses, 8 encontros. Início: 15 de setembro de 2012.
Horário: Sábados, das 9h30 às 12h30.
Investimento: 1+2 R$225,00 (boleto, cheque) ou em 6 vezes no cartão.
(desconto para ex-alunos e pagamento à vista).
(desconto para ex-alunos e pagamento à vista).
Onde: Espaço Terracota – Av. Lins de Vasconcelos, 1886 – Vila Mariana.
(saiba como chegar aqui)
SOBRE O CURADOR
EDSON CRUZ (Ilhéus, BA)
é poeta, editor e revisor publicitário. Desgraduou-se em Psicologia,
Música , Violão e Letras. Foi fundador e editor do site de literatura
Cronópios (até meados de 2009) e da revista literária Mnemozine. Fez
entrevistas para TV Cronópios e Programa Bitniks com grandes escritores
contemporâneos. Lançou em 2007, Sortilégio (poesia), pelo selo Demônio Negro/Annablume; como organizador, O que é poesia?, pela Confraria do Vento/Calibán; em 2010, uma adaptação do épico indiano, Mahâbhârata, pela Paulinas Editora. Em 2011, lançou seu poemário contemplado com Bolsa de Criação da Petrobras Cultural, Sambaqui, pela Crisálida Editora. É editor do site de Literatura e Adjacências, MUSA RARA e do selo MUSA RARA, em parceria com a Terracora Editora. Mantém blogue Sambaquis.
domingo, 16 de setembro de 2012
O que é poesia?
Amigos,
Hoje quero dividir meu contentamento e encanto surpreso com o livro O que é Poesia? e indicar a leitura para vocês.
Primeiro volume da coleção Os Contemporâneos (em parceria com a editora Calibán), este O que é poesia? traz 45 relevantes poetas brasileiros, portugueses e hispano-americanos em atuação respondendo a essa pergunta simples, mas nem de longe simplória. Surgido como uma provocação em seu blog, onde Edson Cruz propunha ainda duas outras perguntas (sobre o que um iniciante deveria perseguir e quais textos e autores lhe eram referenciais), o questionário resultou na seleção deste livro que, além de um calidoscópio reflexivo do fazer poético, revela-se um documento vivo do panorama literário contemporâneo, propiciando, inclusive, alguns raríssimos encontros para uma mesma edição.
Eis os autores nesta edição: Ademir Assunção, Affonso Romano
de Sant'Anna, Amador Ribeiro Neto, Ana Elisa Ribeiro, André Vallias, Aníbal
Beça, Antonio Cicero, Augusto de Campos, Bárbara Lia, Carlito Azevedo, Carlos
Felipe Moisés, Claudio Daniel, Claudio Willer, Eunice Arruda, Fabiano Calixto,
Felipe Fortuna, Flávia Rocha, Floriano Martins, Frederico Barbosa, Glauco
Mattoso, Horácio Costa, Jair Cortés, João Miguel Henriques, João Rasteiro,
Jorge Rivelli, Jorge Tufic, José Kozer, Luis Serguilha, Luiz Roberto Guedes,
Marcelo Ariel, Márcio-André, Marcos Siscar, Micheliny Verunschk, Nicolas Behr,
Nicolau Saião, Ricardo Aleixo,Ricardo Corona, Ricardo Silvestrin, Rodolfo Häsler, Rodrigo Petrônio, Sebastião
Nunes, Tavinho Paes, Victor Paes, Virna Teixeira, Washington Benavides.
http://www.confrariadovento.com/editora/livro21.htm
http://www.martinsfontespaulista.com.br/ch/prod/314398/que-e-poesia,-o.aspx
http://www.confrariadovento.com/editora/livro21.htm
http://www.martinsfontespaulista.com.br/ch/prod/314398/que-e-poesia,-o.aspx
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Sem Flores ou Encanto
Era setembro
Sem flores ou encanto
Desfeita em folhas
Árvore nua
Solitária régia mulher
Insistia a voz rouca a falar de prantos
Um desespero sem medo
Pois conhecia os verões, varões
Sóis que não aqueciam mais que a efemeridade de um dia
Atravessava ventos e noites
Almejando o fim
Anna Amorim, setembro de 2012
Anna Amorim, setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Das Pedras - Cora Coralina
Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
Cora Coralina
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