terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pele



















Mirza Pintor
Pintura a Óleo e folha de ouro 


Não diria nada
Se o silêncio não me levasse  longe  tua boca
Não lamentaria os dias frios
Se me agasalhasse com tua pele
Um veludo e sua serpente
Tua ternura  longe de mim é prelúdio de morte

Quero agasalhar-me na tua pele
Ter meu ventre contra o teu
Gestar tempos
Parir palavras

Agasalha-me com tua pele
Recolhe comigo folhas outonais
Dar-me-ei flor antecipando primaveras

Faz-me voar sobre minha solidão de aço
Eu não te diria nada, mas digo
Minha poesia tua palavra escreve

11/08/2012

sábado, 24 de novembro de 2012

Soberanias





O tempo conta tudo perece
Não há prece, crença ou jura que desfaça essa realidade

Olho para cima
Vejo
O soberano
Manchado de cinza seu azul insiste em dizer algo
Tento ouvir em vão
O tempo ao falar  a verdade ensurdeceu-me

O tempo calou-me

No silêncio das horas
A solidão diz do fim do dia
Do amor
Da vida
Durmo o sonho
da morte
antecipada.

Anna Amorim

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Primeiro Concurso De Prosas Poéticas


Queridos amigos,

No mês de outubro participei do primeiro 1º Concursos de Prosas Poéticas elaborado por iniciativa do amigo e escritor J.R Viviane. 
Abaixo o poema com o qual tive a honra de configurar desta iniciativa. Para conhecer os demais autores participantes clique no banner acima e conferir minha participação nas fotos abaixo.
Aproveito para agradecer e elogiar João Roberto pelo cuidado e empenho na aproximação e divulgação dos autores neste nosso espaço virtual.
No mês de dezembro o Vendedor de Ilusões estará divulgando o 1º Concurso de Prosas e Contos. Confiram!!!


“Folha Rasgada”

Pensei jogar todas palavras numa folha,
mas todas eram poucas.
Falas, fraturas, falhas, pinturas,
Adorno.
Pensei, depois, rasgar todas as folhas.
Na borda de cada a pele fina rasgada.
Nesta, melhor que todas as letras,
a verdade.
O ar que faz silhueta no rasgo-folha se expressa
melhor que impróprias palavras.
Fazendo a borda estremecer sutilmente...
Sacudo a folha que trepida sua extremidade num
êxtase de medo.
Medo de deixar de ser a razão se sua borda!
Boca fala menos que demanda.
Mando calar-me
e minha mão.
Finalmente que eu rasgue essa folha.
Deixe a malícia de escrever em folhas puras, vorazes. A malícia de ser mulher e querer ter todos os prazeres.
Danar de danar-se
Ser danada
e insinuar-me em cada espaço entre as palavras.
Ah, palavras nunca se ajustam,
mas bem que me servem
na bandeja!
Arqueja arcanjo meu anjo esqueci o seu nome
Está impaciente ou nada entende?
Logo explico, estou escrevendo rasgado sobre a
folha que nunca rasguei!
Sou mulher teimosa.
Amo as palavras apenas na medida que o todo do silêncio é impossível.
* * * * *
Anna Amorim
Direitos Autorais Reservados ®


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sentidos concêntricos

 
















do centro emana mares
deixo-me
de certo,
tua carícia, seta
aponta-me
vertigens.

Anna Amorim, 2012

Sedução - Adélia Prado



A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro,
levanta a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus, me deixa desesperar.
Ela responde passando a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.

sábado, 10 de novembro de 2012

Capturar Versos - Versão II



Este HaiKai de minha autoria foi retrabalhado por Celso Ribeiro como poema concreto.
Confiram este e outros trabalhos dos meus amigos escritores em Escritores na Oficina

Capturar Versos



fome de aranha
poética armadilha
tecida na teia.

Anna Amorim, 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Registro de pele





um nó de coração sombrio apieda-me
desata minhas pernas
deserta estive ontem
hoje quero tua escrita
ferro
fogo
inventa a mulher que sou.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

PALAVRA DE MULHER recebe pela Segunda Vez o Prêmio Dardos


Queridos amigos,

Com grata satisfação dia 31 de outubro fui agraciada pela 2ª vez com a Prêmio Dardos. Desta vez pelo escritor Danny Marks, editor do Retratos da Mente
Agradeço enormemente a ele, pelo carinho e reconhecimento do meu trabalho ao longo do meu trajeto pelo mundo das Letras e no PALAVRA DE MULHER e a todos que me acompanham. São vocês que me impulsionam a continuar, apesar dos inúmeros papéis que desempenho na vida, dedicando com prazer tempo a arte das escrita neste campo aberto ao outro que é a internet.

Recentemente (23/08/2012) PALAVRA DE MULHER completou  três anos e rendo minha homenagem aos amigos que me seguem. Este presente é para cada um de vocês  que acompanham e opinam sobre o meu trabalho, pois são vocês que me ajudam a pensar, refletir e são mais um dos tantos incentivos ao meu aprimoramento.
Obrigada e parabéns!

Informações sobre o SELO/PRÊMIO
O Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade.
No ano de 2008 concedeu no seu blog Legendas de "EL Pequeño Dardo" o primeiro Prêmio Dardos a quinze blogs selecionados por ele. Ao divulgar o prêmio, Zambade solicitou aos blogs premiados que também indicassem outros blogs ou sites considerados merecedores do prêmio. Assim a Premiação se espalhou pela Internet.

Cada ganhador do selo deve continuar a fazer premiação (se quiser, é claro) aos blogs que por ele considerar merecedores, seguindo as regras a pedido do criador do selo:
 

1. Exibir a imagem do selo em seu blog.
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outros quinze blogs a quem entregar
o prêmio dardos.
4. Avisar os escolhidos.

MEUS PRESENTEADOS:


A.C Rangel - Alma Tua
Arnoldo Pimentel -  HaiKaiNosVentos  
Assis Freitas Árvore da Poesia
Bípede Falante -  Bípede Falante
Dade Amorim -  Inscrições 
Dilmar Gomes - Uma Pitada de Poesia
Doce Rachel - O que Cintila em Mim
Eleonora Marino Duarte -  Versos e Idéias 
Filipe Campos Melo - Porta-Sonhos 
Joelma B. - Transfigurações
J.R Viviani - Vendedor de Ilusão
Luiz de Castro Neves - Egrégora: Carrancas Literárias 
Moises, poeta - A Biografia do Fogo
Nilson Barcelli - Nimbypolis
Paulo Franscico - Da Varanda da Minha Casa


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Participação no 1º Prosas Poéticas


Queridos amigos,

No mês de outubro participei do primeiro 1º Concursos de Prosas Poéticas elaborado por iniciativa do amigo e escritor J.R Viviane. 
Abaixo o poema com o qual tive a honra de configurar desta iniciativa. Para conhecer os demais autores participantes clique no banner acima e conferir minha participação nas fotos abaixo.
Aproveito para agradecer e elogiar João Roberto pelo cuidado e empenho na aproximação e divulgação dos autores neste nosso espaço virtual.
No mês de dezembro o Vendedor de Ilusões estará divulgando o 1º Concurso de Prosas e Contos. Confiram!!!


“Folha Rasgada”

Pensei jogar todas palavras numa folha,
mas todas eram poucas.
Falas, fraturas, falhas, pinturas,
Adorno.
Pensei, depois, rasgar todas as folhas.
Na borda de cada a pele fina rasgada.
Nesta, melhor que todas as letras,
a verdade.
O ar que faz silhueta no rasgo-folha se expressa
melhor que impróprias palavras.
Fazendo a borda estremecer sutilmente...
Sacudo a folha que trepida sua extremidade num
êxtase de medo.
Medo de deixar de ser a razão se sua borda!
Boca fala menos que demanda.
Mando calar-me
e minha mão.
Finalmente que eu rasgue essa folha.
Deixe a malícia de escrever em folhas puras, vorazes. A malícia de ser mulher e querer ter todos os prazeres.
Danar de danar-se
Ser danada
e insinuar-me em cada espaço entre as palavras.
Ah, palavras nunca se ajustam,
mas bem que me servem
na bandeja!
Arqueja arcanjo meu anjo esqueci o seu nome
Está impaciente ou nada entende?
Logo explico, estou escrevendo rasgado sobre a
folha que nunca rasguei!
Sou mulher teimosa.
Amo as palavras apenas na medida que o todo do silêncio é impossível.


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Anna Amorim
Direitos Autorais Reservados ®