Na
solidão repousa frouxa a esperança de chegar ao colo de alguém sem correr o
risco de queda, numa entrega sem envergadura, sem medo e com astucia, ser para
um outro verdade e quimera por todo
futuro.
As lágrimas secaram no rosto. Abriu a torneira e a água ajudou
a se restabelecer, sua tez atordoada cobriu de pó. Tudo ao pó
volta, rápido pensou. Tinha um intuito: despistar dos dias o ar sombrio que
encerrava por dentro. Despistar os olhares da sua dor.
O vento ditava realidades. Nunca mais. O vento em descabelar
aflito obrigava o pentear improvisado dos dedos, a necessidade de correr da
chuva. A língua áspera quando não desejo apenas feria. Ainda assim insistia em
sonhar.
Porque
ambos estamos exaustos e o amor quer banir fora do presente toda dor.
Outra hora conto meu último pesadelo e saberás que o
sonho alcançaremos ao acordar. Minha vida é um apanhado de sonhos no teu
colo a contemplar o novo tempo. Vamos pisar descalços agora? Na areia
marcar novas pegadas
Escorregava por dentro da tua voz boca adentro que beijava
sôfrega. Parava nas vírgulas imaginárias, no entanto, queria ser toda
contínua em tua vida. Escrevia poesia, sofria de tanto ler-te os pensamentos
supostos. Era um livro, um pensamento e te alcançava pelo corpo a alma
escondida. O restante do tempo era espera e a rima desfeita