domingo, 28 de agosto de 2011

Lembrar Amor


Paixão esqueci o que era amor

Perdão.

Esqueci da doação sem troca dita justa
Bati no peito ofendida
Sei agora, minha culpa
Minha tão grande culpa
Foi ter amado com paixão.

Ah, se começasse de novo
Podia me machucar menos.
Fazer com que me ferisse menos
E não te ferir de modo algum.

Fechar os olhos para teus defeitos
Teus atos de crueldade
Minha maldade.
Tudo que é humano e imperfeito em nós
Voltar a sermos deuses.

Se deixasse eu cuidar de você...
Lembraria o que é amor.

Anna Amorim, 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

PALAVRA DE MULHER Comemora 2 Anos !

Esta postagem é em comemoração aos 2 ANOS de PALAVRA DE MULHER. Com esta poesia inaugurei este espaço de troca que tanto enriquece meus dias.
Quero agradecer a cada um que tem me acompanhado neste caminho de memórias e palavras.
Obrigada você são e dão o sentido a minha palavra.

Palavra de Mulher



Palavra de Mulher

Vejo uma mulher pelo fio dos anos a temer
o seu homem.
Pelo fio de tempo que enxergo atrás de mim,
antes muito antes.
No tempo incontável de uma história antes da história.
Reclusa
ela e seu rebento choroso agarrado pelas ancas
e toda a dor
da violência do seu homem.

Vejo uma mulher pelo fio dos anos a esperar
pelo seu homem.
Pelo fio de tempo que enxergo atrás de mim.
A esperar que a alegria voltasse ao seu rosto,
pelo seu homem
pelo fio do tempo
que vejo atrás de mim.
E o rebento choroso agarrado em suas preces pelo fio do tempo.
Uma mulher reza pelo seu homem que parte para a guerra,
ela e o rebento dentro do ventre choram
sem ele ainda o ser.

Banho-me em todas as lágrimas do fio do tempo da mulher.

Vejo uma mulher chorosa esperando
pelo seu homem que a trai pelo fio do tempo,
a rastrear passos em falso e toda a verdade que dói até não poder mais doer mais
Nunca mais.
Sempre e seu rebento vivendo no rosto da mãe a dor indecifrável
do que nada sabe e tudo compreende
pelo fio do tempo é que vejo

Embaraço-me no fio do tempo de todas as mulheres de todos os tempos

Vejo uma mulher descobrindo o amor que nunca teve por todo amor que sempre teve guardado.
Ele chega,
ele vai.
E o fio do tempo a ameaçar se embaraçar dentro dela,
e todo amor que arde até mais que o tempo que arde.
É tarde para tanto amor pelo fio do tempo
e todo desejo no tempo do desejo eu vejo.

Vejo uma mulher desejar esperar pelo tempo
Vejo uma mulher no fio do tempo se segurar
O fio do tempo que se estende
E a mulher a tentar brincar com fio do tempo como criança fora do tempo
Pelo fio do tempo da espera que tece
Palavra de mulher que vejo.

Vejo uma mulher no fio do tempo e um homem
Nada mais

Mas eis que ela que é dona da vida costura com o fio do tempo a vida dela
como quer
Vejo a mulher a esperar a tempo de conduzir pelo tempo novo de realizar
Vejo!

Anna Amorim, 2005

domingo, 21 de agosto de 2011

O Tempo



O tempo que devora pedaços de mim

O tempo que ferozmente fragmenta meu eu

Antes de o SER.
O tempo que abocanha pedaços da minha vida.
O tempo que corta minha pele envolta em sorriso.
O tempo que separa
Parte
Dividi.
Vida.

Maldito seja o tempo que te levou de mim.
Maldito o seja!

O tempo não é metáfora.
O tempo é minha morte anunciada!

Anna Amorim, agosto/2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre o Amor




Hoje desejo convidar a todos meus SEGUIDORES a ler o artigo "SOBRE O AMOR de mi ha autoria na r minha mais nova casa:  "Dialógos a luz da Psicologia e Psicanálise".
Este novo espaço foi criado dirigido aos profissionais da área da saúde mental e pessoas interessadas na relação do ser humano consigo, com o outro e com ambiente que o cerca. Neste você encontrará artigos, reflexões, notícias e várias intersecções da psicologia e psicanálise com as artes, como literatura e cinema.
Seja bem-vindo ao "Diálogos a luz da Psicologia e Psicanálise".

Acessar o link abaixo para ler o artigo "Sobre o Amor". 


Para terminar o post uma poesia de Drummond...
Permanência
Agora me lembra um, antes me lembrava outro. 

Dia virá em que nenhum será lembrado.

Então no mesmo esquecimento se fundirão.
Mais uma vez a carne unida, e as bodas
cumprindo-se em si mesmas, como ontem e sempre.

Pois eterno é o amor que une e separa, e eterno o fim
(já começara, antes de ser), e somos eternos,
fragéis, nebulosos, tartamudos, frustados: eternos.
E o esquecimento ainda é memória, e lagoas de sono
selam em seu negrume o que amamos e fomos um dia,
ou nunca fomos, é contudo arde em nós
à maneira de chama que dorme nos paus de lenha jogados no galpão.

(Carlos Drummond de Andrade, in: Os Lábios Cerrados

domingo, 14 de agosto de 2011

Meia Noite em Algum Lugar - Danny Marks

                 Eu queria poder cortar um sorriso eterno no meu rosto para fingir para o espelho sem esforço.  Pintar o mundo em preto e branco da forma como eu o vejo. Simplificar, esquartejar as palavras em versos que sangram.
            Onde está você? Não percebe que quando mando embora é quando mais preciso que esteja junto? O meu egoísmo dissolvido em copos que eu bebo na tentativa de dar um sabor a mim mesmo. Objeto de desejo.
            No sexo eu quero apenas voltar para dentro, do útero, inteiro, e nunca mais sair de lá, me agarrar entranhado, impossível de ser arrancado.
            Leva pra longe a sua alegria que ofende a beleza da minha tristeza, quer melhor poesia do que a dor produz? Isso faz de mim um herói? Um exemplo para o mundo? Não quero dividir o meu coração, em pedaços.
            Pode levar as minhas soluções, elas nunca me serviram. Não precisa me trazer os seus problemas que já estou rico de tantos meus. Quem disse que não tenho fartura? Vida caudalosa que me afoga, eu sem lastro, sem mastro, sem bandeira.
            Dei asas à imaginação e voou pra longe de mim. Alimentei com meu corpo o vazio dos dias até que fiquei preenchido de nada.
            Antes de pressuposto ter estado acima, cavei um buraco no solo e me lancei a ele para que me abraçasse, e fui cuspido.
            Queria me lançar da ponte em vôo cego, acolher a noite eterna sem medo. Mas eu temo. Maldito que me plantou a dúvida de continuidade sem me dar ao menos a esperança de um final.
            É no jardim de espinhos que planto a minha pele, para secar ao sol que um dia vai chegar, curtida no desaconchego de estar distante, no instante em que me olham, sem nunca terem me alcançado.


Danny Marks,
agosto , 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

Mais, ainda




Faz piada, rio à toa
Na vida
Só viro riso
Medo deste vício
Ainda que só meu olhar me mova
Envolva-me
Sem medo
Vivo à toa
Teimosa
Fala, não entendo muitas coisas e ouço, ouço...
Lembro oscilações, entonações
Medo de ciclos
Sangue
Experiência de mulher
Do que tens medo?
Do que tens horror?
Do que me dá prazer ou causa?
Ou dor?
Da verdade e planos
Sobreposições e planos
Nenhum platô e prantos
Mais, ainda.



Anna Amorim 
11.03.1999.