segunda-feira, 27 de maio de 2013

Adormeceres



 

necessito um domingo
para sempre
descansar das agruras da vida
da boca dura
da fala obscura
das difamações dos dias falidos

De quietute e aconchego feito
como o amor sonhado
infindável

necessito apenas para viver
mais uma próxima semana
até ele chegar
inteiro

para sempre.

Anna Amorim, 25/05/2013

sábado, 25 de maio de 2013

Alucinares


alucino imagens
reflexos de luz
penetra as pupilas cansadas
excita retinas
recordar neurônios

subita luz
me afasta da escuridão
e do que sou
ainda assim cega-me
cega-me!

Anna Amorim, 03/04/2013

domingo, 12 de maio de 2013

Eu-Ela (in memorian)







Chamaram-me de filha.
Deram-me o nome dela.
Ela, minha mãe.
Ana.

Tenho esta dolorosa sensação que a deixei.
Embora minha casa ao lado.
Agora a casa sem ela.

Antes conheci dor sem nome.
Agora sei o nome da dor.
O nome é separação.
O nome é morte.
Tenho o nome dela.

Eu, Ana, tua filha
Ana, minha mãe!
Espelho de m´alma.


Anna  Amorim, 1999
Homenagem a minha mãe Ana Maurício de Fairas (in memorian)



Os versos mais lindos perdi para o céu (in memorian)




Ausência
Negro
Branco
Vazio e
Nada
Nada valem meus versos.

Os versos mais lindos perdi para o céu.

Onde estás?
Além da minh’alma
Das marcas que outrora marcaram o meu corpo
E orquestram meu desejo
Onde está a sonoridade da sua voz?
Além do murmúrio do meu ouvido
Onde está seu sorriso, sua alegria que festejava minha chegada
Onde estou se não estou nos lugares que aparentemente chego

Se gritar, me escutas?
Enxuga-me as lágrimas que não chorei
Nenhum verso retrata a essência da sua presença
A dor da sua ausência
De que valem?
Nada
Vazio
Ausência.

Anna Amorim, 1999
Homenagem à minha mãe Anna Maurício de Farias