Queria a febre, todo prazer da saliva
Poros desnudos
Depois o descanso no teu peito
O cotidiano feito de café com leite
Manutenção da vida segura
Segura minha mão
Vou atravessar sem olhar para os lados
Distraída e inconsciente do meu desejo obscuro
Descansar eterno que me chama
Chama-me
Estou distante e vaga
Inevitável caminho para te encontrar de novo
E perder
E cansar
Até o fim de toda febre
Impossibilidade do descanso
Cotidiano tenso
Nunca mais quero
Vestir-me de teu olhar
Desvestir minha roupa e alma
Entregar-me ao prenuncio do que vira sempre morte
Quero vida segura
De mãos dadas percorrer caminhos plácidos
Pisar na grama
Sem desistir da febre.
Quero o impossível de nós.
Anna Amorim, 31-07/2012






