sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O impossível nós


Queria a febre, todo prazer da saliva
Poros desnudos
Depois o descanso no teu peito
O cotidiano feito de café com leite
Manutenção da vida segura

Segura minha mão
Vou atravessar sem olhar para os lados
Distraída e inconsciente do meu desejo obscuro
Descansar eterno que me chama

Chama-me
Estou distante e vaga
Inevitável caminho para te encontrar de novo
E perder
E cansar
Até o fim de toda febre
Impossibilidade do descanso
Cotidiano tenso

Nunca mais quero
Vestir-me de teu olhar
Desvestir minha roupa e alma
Entregar-me ao prenuncio do que vira sempre morte

Quero vida segura
De mãos dadas percorrer caminhos plácidos
Pisar na grama
Sem desistir da febre.

Quero o impossível de nós.

Anna Amorim, 31-07/2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Natureza morta



















 








Desenho: Paulo Martinez

Enquanto meus olhos vagueiam
Natureza morta 
Teu quadro
Aprecia-me, não me toca.

Anna Amorim, 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sobre o Amor I























Acolher lágrimas
Recolher feridos
Suportar gritos
A raiva, o avesso do querer desamparado
Lágrimas umedecem a dor
Feridas, alma aflita.

Anna Amorim, 09/08/2012




Do Amor - Hilda Hilst
























Costuro o infinito sobre o peito
E no entanto sou água fugidia e amarga
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedra, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

sábado, 11 de agosto de 2012

Melancolia I





















Desejo morto, uma forma de ser
nostalgia
cansada de versos, medo do esquecimento.

Anna Amorim, agosto, 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Concepção























Nos traços de tua Mão: eu
caminhava pequenina
Enquanto miravas outra
Vida? Qual era a minha vida?
Eu compunha versinhos  pra te agradar
Enquanto tua Mão gigante me prendia
Um dia escorreguei pelos traços e caminhei
Por todo seu corpo
E
Descobri
Que era meu
O dom
Da vida
O dom
Da palavra

Anna Amorim, abril, 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Argúcia de voz diante silêncio infligido - Joelma B.


agora que te calei
eu me contemplo

- tempo negado


quando muda me prendias
e teu gesto me ditava -

é bom

este não ir
nem vir em ti

a face da mudez

é generosa
a meus sentidos

deito-me nua

em tua boca fechada
e inscrevo-me ilibada

Joelma B.
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