sábado, 28 de setembro de 2013

Auto-criação



gerar-me de novo
mãe-terra em tua cova
renascer gêmea de mim

parir a letra
nunca calar a voz
habitar
meu corpo

pisar no afasto mãe-terra
sob ti
sem medo
andarilhar 

26/09/2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Onde habito





sofrem os loucos
dormitam em mim
gerações
á espera de acalantos
antes de nomeações
esperam os justos
aqueles que se tornaram injustos
os que choram
os que riem de mim
e os dentes cerrados
— criança vem pra dentro—
ouço tua voz
por entre frestas do tempo
acalmo.

Anna Amorim, 24/07/2013

Hemel (2012)


Hemel  (que significa céu em holandês) é um sensível drama de  2012, estrelado pela jovem atriz Hannah Hoekstra  e Hans Dagelet (Gijs), dirigido por  Sacha Polak.
O filme se destaca pela poética fotografia e crua realidade das dificuldades do relacionamento do pai Gigs com sua filha Hemel.
Gigs cria sua filha sozinho após um caso passageiro em que a mãe da criança comete suicídio. Não estabelece uma relação de amor com outra mulher, tendo várias tentativas ao longo da vida até sua filha se tornar adulta. Hemel torna-se uma jovem agressiva, provocativa, mantendo uma vida sexual com diferentes parceiros evitando qualquer tipo de envolvimento afetivo. Em uma das cenas em que um homem é carinhoso após terem relação sexual ela diz: “você não precisa fazer isso.” Diz que não gosta de pós-preliminares e acabar por pedir para ele sair.
Hemel se identifica com o pai, mas sem perceber que o padrão do pai é menos rígido. Ele mantém relações sexuais/afetivas por um tempo, é monogâmico, embora não consiga se entregar a uma relação plenamente,  enquanto ela evita qualquer intimidade. O único padrão de amor que Hemel conhece é adoecido, é o amor que ambos tem um pelo outro e que os prende, um amor fusional, que não delimita os espaços, que funde um ao outro e por isso é agressivo, difícil, traiçoeiro.
Em uma das cenas vemos Hemel chegar e o pai ignorá-la enquanto continua a tocar trompete. Ela o abraça pelas costas e o beija no pescoço, ele lhe chama a atenção preocupado que ela tenha sujado de batom sua camisa, logo estão no chão brincando de lutar, como se ela fosse um filho homem, ao mesmo tempo a cena remete a uma intimidade de casal. Nesta cena e ao longo do filme fica a sensação embaraçosa para o espectador de ver pai e filha emaranhados nas teias de um amor onde um pai não soube barrar o amor edípico de sua filha, embora a tenha amado como filha e cuidado dela, o que temos conhecimento na última cena. Teria sido a ausência na sua vida da vivência de amar e ser amado por uma mulher que o teria impedido de barrar este amor da filha para além do amor ao pai-homem? Possivelmente.
Desta forma o pai a trata ás vezes de forma  agressiva e brusca, ao mesmo tempo que outras vezes não impõe limites na intimidade que poderá haver entre eles. Resta a filha o sentimento confuso de ser constantemente rejeitada ao mesmo tempo que é exposta a um suposto amor sem limites que algumas vezes a coloca num lugar infantilizado, noutras de um menino-rapaz ou da mulher do pai que poderia supostamente em sua fantasia formar um casal.  Porém dois encontros vem mudar o rumo desta história. O apaixonamento da filha por um amigo do pai, um homem casado, que não vem a amá-la, mas com quem vive uma troca afetiva e a decisão do pai de morar com Sophie, a mulher pela qual encontra a via para o amor na idade madura. A esta mulher ele entrega um anel om a seguinte escrita: “Você me faz humano.” Haveria maior definição do que esta para o amor?

Abaixo um trecho do filme onde o pai revela a filha que irá morar com Sophie e ambos discutem sobre o tema amor. 

Pai: Vou morar com Sophie

Filha: Ela é a mulher certa?

Pai: Acho que sim.

Filha: Onde

Pai :Em nossa casa

Filha:“Nossa” com “você e eu” ou com “você e ela”?

Pai: Nossa com “minha casa”. Você tem sua casa. Você pode ficar com o seu quarto, é claro.

Filha: Por que vai morar com ela? Nunca fez isso antes. Por que a ama?

Pai: Eu sinto que não preciso esconder nada pela primeira vez na vida.

Filha: Isso é amor? Para mim amor é querer saber tudo que o outro sabe, ser a mesma pessoa que ele por dentro.

Pai: Acho que as diferenças são o mais interessante.

Anna Amorim, 22/09/2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Jogo - o mais recente livro de Danny Marks

Caros amigos e leitores do PALAVRA DE MULHER é com enorme satisfação por mais um trabalho do qual possamos nos orgulhar que apresento a vocês o mais recente trabalho do escritor DANNY MARKS. Espero que todos tenha a mesma emoção e sobressaltos que eu tive aos longo desta jornada.


Faça-se o Jogo!!!

Quando as forças Universais personificadas: o Pai, Irmão Escuro e Gabriel se confrontam, o universo é criado e o Jogo se faz pela vontade do Pai. 

Não há vencedores no jogo, não há derrota possível, apenas vida ou inexistência aguardam cada lance. Regras pré-estabelecidas, delimitam os caminhos a serem seguidos, estratégias obscuras onde vida e morte se confundem. Luz e trevas digladiam pela supremacia, o destino é escrito determinando o próximo obstáculo.

A cada persona criada surgem novas possibilidades. Bem e mal, ódio e amor, inveja e poder se revezam nessa busca pelo objetivo supremo: Liberdade.

Quando o Ser Humano é criado pelo Pai, à revelia dos outros jogadores, a instabilidade e a tensão entre as forças universais se instaura definitivamente e as estratégias se tornam mais ousadas e mortais.

No jogo não existe certo ou errado, a supremacia se faz pela inteligência, pela habilidade, pela capacidade de ludibriar os adversários. Os cenários se apossam da vida, peças que lutam n a busca desesperada pelo sentido maior por trás de cada jogada, por trás das verdades e mentiras veladas.

Na ilusão desfeita jaz o Segredo da Vida, sob o andar lento do destino, implacável, que não respeita deuses ou homens e que submete a todos pela vontade do Pai.

A cada capitulo as regras do jogo vão sendo desveladas e o cenário estabelecido, os personagens definidos contam suas histórias e os seus atos transformam os rumos da narrativa envolvendo o leitor em suas ardilosas tramas e subtramas. Os figurantes assumem suas posições, os interesses alinhados com os objetivos individuais, cada qual traçando sua própria batalha tentando garantir sua sobrevivência e permanência.

Da Luz e das Sombras surgem cores, formas e formatos que determinarão como cada peça se comportará, seus motivos e explicações. O Jogo não é feito apenas de atitudes, se completa no tabuleiro, nos pensamentos e na vida de quem joga e de quem assiste.

Baseada em relatos milenares da Lenda do Livre Arbítrio à Criação do Mundo esta narrativa transcende religiões e interesses, tornando-se um épico de filosofia em um mundo onde evoluir é mais do que um acaso fortuito, é a causa fundamental da existência.

Apenas aqueles que possuem coragem de encarar os seus próprios medos e verdades devem adentrar este espaço e construir o seu próprio JOGO.

Disponível no formato E-Book na Amazon (siga o link abaixo)
 
http://www.amazon.com.br/O-Jogo-ebook/dp/B00EYPEJJ0/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1378257007&sr=8-2&keywords=o+jogo



PRÉ-VENDA:

Até o dia 25 de setembro de 2013 a NAVRAS Digital e Danny Marks vão estar disponibilizando O Jogo por apenas R$ 25,00 com frete incluso. Única oportunidade de entrar nesse partida inicial com vantagem sobre os outros jogadores. 


Siga o link e entre nesse JOGO, ou você vai ficar nas sombras?


Curtam a Fan Page no Facebook https://www.facebook.com/danny.marks.1650

domingo, 1 de setembro de 2013

Inconsciente




abrir os olhos nas manhãs
nascer do mundo
abandono dos sonhos
realidade  invade o aconchego
insultando o corpo ao movimento
rumo ao orbitar vazio
o silêncio da verdade

vagas neste ínterim até morrer
o mundo nos teus olhos

e nascer em outra vida

Anna Amorim, 2013

Diário - Virginia Woolf



Porque será a vida tão trágica?, tão semelhante a uma pequena faixa de passeio sobre um abismo. Olho para baixo; sinto vertigens; não sei se vou conseguir caminhar até ao fim. Mas porque sentirei eu isto? Agora que o digo já não o sinto. Tenho a lareira acesa, vamos à Beggar’s Opera. Só que isto paira em mim; não posso fechar os olhos a isto. É uma sensação de impotência: a sensação de não estar a realizar nada. Aqui estou eu, em Richmond, e, como uma lanterna no meio de um campo, a minha luz esfuma-se na escuridão. A melancolia diminui à medida que vou escrevendo. Então porque não escrevo eu mais vezes sobre isto? Bom, a vaidade proíbe-mo. Quero ser um êxito até aos meus próprios olhos. Contudo, este não é o fulcro da questão. É que não tenho filhos, vivo afastada dos amigos, não consigo escrever bem, gasto muito dinheiro em comida, envelheço – dou demasiada importância aos quês e porquês; dou demasiada importância a mim mesma. Não gosto que o tempo esmoreça.

Diário, 25 de outubro de 1920. Bertrand, tradução de Maria José Jorge, p. 226