Quando sua palavra era um bofetão, eu nem andava
Quando andei, foi pelas ruas feito doida, sem chegar
Quando cheguei, pensei ser tarde
Sempre é tarde, há uma corrida contra o tempo
E o tempo vence qualquer sonho
Mas será isso verdade?
Eu que passei anos, trancada à porta e o refúgio era um espanto,
Danei a andar...
Disseram-me que a verdade não existe, e logo eu, que andava rastreando. Fiquei confusa
Verdade existe, só não A verdade
Tudo num simples artigo indefinido
Formo outra e o movimento que é o contrário da paralisia, também paralisa.
Se está na voz do outro,
que de mim sabe quireras, consome parcelas
Perco contornos, desfaço adornos, quebro espelhos e espelhos
Onde estás?
Dentro de mim parte algo
Se também sou palavra, também sou Outro.
Anna Amorim, 1997
1997


