terça-feira, 27 de setembro de 2011

Reencontro em Espelho


Quando? Não sei exatamente. Mente?
Sim. Ele mente. Todos os homens mentem.
E, no entanto, ele era fiel e minha verdade.
Quando? No futuro, que não chegou. Acabou antes.
Um dia acordei. Abri os olhos pesadamente. Abri os olhos sofregamente. E o que vi?
Estava sonhando e a realidade sorriu para mim, finalmente.
Mente. Eu vi que eu era metade de tudo que adorava em nós, de toda grandiosidade de palavras e corpo, e voltei ao estado estranho da inteireza perdida e solitária.
Eu não desejei isso, mas imposta a verdade eu me conduzi do fim do que éramos ao princípio do que sempre flui. Fui.
Haveria ainda dias de vazio? De questionamentos? Depois deste encontro com a verdade?
Não sei.
Quando? No presente agora.
Ele foi embora e voltou, e foi e voltou, e foi para sempre, mente. Simplesmente, foi.
Foi-se da minha mente. Foice que corta.
Certamente fui perfeita em tantos momentos, mas como sê-lo todo tempo.
Como ser real e permanecer distante tempo suficiente para ser uma aparição na vida do outro?
A mulher precisa ser enganadora para sustentar a verdade que o homem lhe exige, enquanto mente para si. Será única forma, através da ilusão, de viverem suas verdades?
Quando? No futuro que chegará um dia. Juro! Verdade.
Uma ilusão entremeada de realidade, como o livro que se lê e se vive, através da história. Outra vida criada por sua mente, a partir de outra mente. A minha e a dele e nossos corpos de novo, novamente.
Nova mente.

Anna Amorim, 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Separação



Quando nos perdemos?
Entre o sonho desejado e nunca vivido, entre a agonia de um novo amanhecer que traz o tédio do que se repete sempre. Perdemos-nos entre lençóis, temas, delicias reservada aos amantes.
Agora perdemos tudo.
A sorte habita o mundo de quem acredita. Na alma de toda gente que anda contente, e não, não pessoas como nós. Nunca mais, nós. Sempre adeus.
Deus eu pedi um dia, quando criança, uma verdade feita de amor e prece. E toda oração se desfez na dureza daquele cotidiano de tormentas sem nome.
Andei assim, nomeando sentimentos, fugindo de lamentos e no entanto sem poder amar. Até que um dia, no meio de tantos nós do passado quis construir a nós, Amor. Lembra? Da primeira vez, do primeiro olhar, do primeiro beijo?
Lembra de tudo que nunca foi jurado, mas desejado?
Sem grandes expectativas foi assim, construindo um elo. Mas eu gasto palavras e você verdades, e os dois, ambas as coisas. Tudo pra quê?
Para fugir do fim.
Eu andava nua pela casa, teu maior desejo, e nós fomos felizes assim. Entre espasmos de gozo, espaços de tempo, saudade e encontros.
Sinto saudades de tudo que formos e não pudemos ser.  
Um dia gritos foram ouvidos e almas espalhadas pelo chão frio.
Almas do passado que nunca repousam.
E nossos corpos foram separados por mais que um breve espaço de tempo, para sempre.
Eu mantive minha promessa, até o fim.