Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito
liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas
com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus
olhos partiram nos teus.
E é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu
nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, a solidão aberta nos dedos
como um cravo.
Meu amor, amor de uma breve madrugada de bandeiras, arranco a tua boca
da minha e desfolho-a lentamente, até que outra boca - e sempre a tua
boca - comece de novo a nascer na minha boca.
Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos pássaros,
encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e perguntar o que aconteceu.
