E ao pó retornarei ao não ser...
Cola tua boca na minha
Para salvar-me do afogamento
Divino.
Assopra-me as feridas
Tal qual o joelho esfolado foi assoprado
Este não sarou da dor do esfolamento
Do próprio assopro.
Assopra-me pra dentro
E não pra fora.
É tarde para não morrer já que se nasceu
Como é tarde para não viver o resto da vida.
Assopra-me outra vida
Entra em mim outra alma.
Não sou pó, sou barro
E do barro faço escultura
E a escultura dou o dom da fala: a boca
A mão o dom da escrita
Faço de mim eu iminente
Nem pó, nem barro
Sujeito vigente.


