sábado, 23 de abril de 2011

Criação


Se vinda do pó sou
E ao pó retornarei ao não ser...
Cola tua boca na minha
Para salvar-me do afogamento
Divino.

Assopra-me as feridas
Tal qual o joelho esfolado foi assoprado
Este não sarou da dor do esfolamento
Do próprio assopro.

Assopra-me pra dentro
E não pra fora.

É tarde para não morrer já que se nasceu
Como é tarde para não viver o resto da vida.
Assopra-me outra vida
Entra em mim outra alma.

Não sou pó, sou barro
E do barro faço escultura
E a escultura dou o dom da fala: a boca
A mão o dom da escrita
Faço de mim eu iminente
Nem pó, nem barro
Sujeito vigente.

 Anna Amorim,  1998



Pitágoras e Anna Amorim


"O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos."
(Pitágoras)

E a mulher mais ainda...

O homem em relação a mulher:

"A mulher é mortal para o homem quando ele a teme e imortal quando ela a deseja. O homem oscila entre estes  sentimentos extremos em relação a mulher."
(Anna Amorim)