domingo, 31 de outubro de 2010

Espera




Plácida me encontro em estado de espera.
Tal qual um livro permito que me abras
e leia minhas palavras.
Palavras doces ou sôfregas.
Palavras que habitam
o íntimo que desejas adentrar a cada vez.


Eu escrevo com o corpo
assim como a tudo que faço.
Sou este espaço que adentras
Teu tormento e consolo.


E nas horas ditas vazias
preencho-me com  palavras
que remetem a nossa história
tanto de ti em ti...
Humanidades
Reinos
Tormentos
Prazeres
Inquieta me encontro em estado de espera.

Anna Amorim, 2009


Além do céu, além da terra - Carlos Drummond de Andrade




Além da Terra além do céu 

no trampolim do sem-fim das estrelas, 
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar, 
até onde alcançam o sentimento e o coração, vamos ! 



Vamos conjugaro verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Meu amor


Meu amor
anda muito ocupado.
Demora.
Quando chega
ocupa-me espaços
do corpo e da alma.

(Anna Amorim, set, 2009)
                    
                                   
                                                   
                                                                                         
                                      

domingo, 24 de outubro de 2010

O Meu Amor - Chico Buarque



O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele fica toda arrepiada
e me beija com calma e fundo
Até minha alma se senti beijada, ai




O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
Ele é o emu rapaz
Meu corpo e testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas sobre as minhas coxas quando ele se deita,  ai

O meu amor
tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se ele fosse sua casa, ai



Eu sou sua menina, viu?
Ele é o meu rapaz
Meu corpo e testemunha
Do bem que ele me faz


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tuas Mãos





Tuas mãos percorrem o meu corpo
versos minha alma
nua
estou a acariciar palavras
para dizer tudo que realizas.

Vagas pela noite em pensamentos.
Sinto saudades.
Tomo minhas mãos pelas tuas
tenho o gozo e o verso.

Anna Amorim, out, 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

An(seios)

















Anseio por tua pele.
Anseio por mergulhar em teus seios.
Anseio por início de encontros.
Anseio por finais de intervalos de distância.
Deste an(seios) tenho o prazer da espera.


Quisera não ser tão caprichosa a desdenhar do tempo
que se assemelha a um
adeus.


Dos intervalos tenho a busca da imagem-memória
Ainda assim falta você nos meus sentidos.
Um perfume
Uma maciez
Uma promessa
Ocupando a morada do meu desejo
Espaços vazios,
folhas em branco
e poemas do anseio.
Anna Amorim,1998












Em Teu Crespo Jardim - Carlos Drummond de Andrade















Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
detêm a mão ansiosa: Devagar.
Cada pétala ou sépala seja lentamente
acariciada, céu; e a vista pouse,
beijo abstrato, antes do beijo ritual,
na flora pubescente, amor; e tudo é sagrado.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Paixão (Corpo)
















Não tens sexo, nem pudor.
És puro ardor que consome.
Não tens reservas, não findas.
Não te basta palavras.
Tens direção e,
logo a encontra.
És corpo,
Queres outro,
queres o corpo.
Anna Amorim, 1997

Edição Comemorativa do TerrorZine




















Porque a vida é feita de amor e dor, luz e trevas, construção e destruição, acalanto e horror... E a possibilidade da escrita!

Apresento aos que participaram comigo desta edição, aos amigos poetas e escritores que conhecem meu trabalho como poetisa e aos leitores que acompanham meu trabalho a maior e mais recente edição do TerrorZine promovida pelo portal Cranik, com renomados autores e iniciantes trabalhando histórias sombrias com habilidade e arte.
Nesta primeira edição que participo, apresento o miniconto: "Onde, as carcaças?"
Desejo uma boa leitura a todos e aguardo comentários.


www.divulgalivros.org/terrorzine21.pdf

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema Obceno




















A pureza está no obceno.
Usei preto e anos de luto.
Busquei o branco da folha.
No fim, poema obceno
da umidade que escondes no meio.


(Anna Amorim, 1997)






domingo, 3 de outubro de 2010

Sonhos



















Palavras, imagens, formas, sonhos...
Palavras imagens formam sonhos!





(Anna Amorim, set, 2010)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Causa do Desejo




Gozar todos os gozos até o último.
Viver, todas as aflições.
Desta liberdade já não fujo!

Viver é deixar-me revirar em vertigens
prazeres e dores
espasmos e sussurros.
O último suspiro darei amanhã!
Depois de viver todos os outros
e mais ainda, revivê-los.

Lembrar-te o rosto,
o corpo,
a voz.
Meus receios,
Minha verdade frágil.
Quando todo receio é pouco,
é a liberdade.

Teu nome é meu sussurro.
Teu corpo minha vertigem.
Desejar-te minha liberdade presa da tua imagem.
Causas-me desejo e escrita.
Abandono e sonhos
e, mais ainda...


Anna Amorim, 1998