domingo, 30 de outubro de 2011

Memória

Toda perda anda cravada em minha mente
Como dói a memória de tudo que jamais poderá ser esquecido
Como um choro de bebê não nascido
Continuo a caminhar sob a pena do teu nome
Inconfesso amor que deixei para sempre na possibilidade de ser

Toda perda anda cravada em minha mente
Espinhos que teimam em reinar em minha vida
Toda ida, como dói
O choro aflito de outros em meus ouvidos
E tudo dito entre nos
Todo mal ainda que em tempo morto.

Toda memória
Todo presente
E o futuro que mata cada momento
Na incerteza de ser deixei-me

Sou a que escreve no tempo da morte histórias de fragmentos de vida

Toda perda anda por minha mente
Dilatada em minutos temas
Palavras e o umbigo cicatriz

Ouço um grito de nascimento e o último que acossa
Deixe-me
Ainda é tempo

Sempre há tempo até o último tema
A não ser que já não temas
Direi: É cedo
A morte de ontem fez nascer a dor e o dia de hoje
Na minha mente toda  perda e desejo de vida lutam

Lute comigo pela vida
Ainda é tempo
Tempo que se fará memória 

Anna Amorim, out, 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Variações da Ausência de Antes



Pecado é acordar úmida e só da tua ausência
Pecado é o que me infligiram na infância
O passado que invade e repete
Toda angústia de antes

Digo em oração teu nome
Sigo pegadas na areia
Meu amado irmão, por que ele nos abandonou?

Quero nascer de novo e ser eu mesma
Em nova vida não mais rememorar
Que o inédito me diga tudo que não sei
E dou todo meu conhecimento em troca de sorrir ainda criança

Vendo os olhos e vejo
Escuta, ele chega
È minha mãe quem diz tudo aos meus ouvidos aflitos

Homem vem morar comigo dentro de outra realidade.
Pecado é não ter você ao meu lado
Pecado é acordar úmida e só na tua ausência

Anna Amorim, 20/02/2011