Toda perda anda cravada em minha mente
Como dói a memória de tudo que jamais poderá ser esquecido
Como um choro de bebê não nascido
Continuo a caminhar sob a pena do teu nome
Inconfesso amor que deixei para sempre na possibilidade de ser
Toda perda anda cravada em minha mente
Espinhos que teimam em reinar em minha vida
Toda ida, como dói
O choro aflito de outros em meus ouvidos
E tudo dito entre nos
Todo mal ainda que em tempo morto.
Toda memória
Todo presente
E o futuro que mata cada momento
Na incerteza de ser deixei-me
Sou a que escreve no tempo da morte histórias de fragmentos de vida
Toda perda anda por minha mente
Dilatada em minutos temas
Palavras e o umbigo cicatriz
Ouço um grito de nascimento e o último que acossa
Deixe-me
Ainda é tempo
Sempre há tempo até o último tema
A não ser que já não temas
Direi: É cedo
A morte de ontem fez nascer a dor e o dia de hoje
Na minha mente toda perda e desejo de vida lutam
Lute comigo pela vida
Ainda é tempo
Tempo que se fará memória
Anna Amorim, out, 2011



