domingo, 13 de novembro de 2011

Deusa em Tempo de Espera



Se eu tivesse o poder sobre o tempo,
Sobre a distância.
Sou deusa imperfeita sem estes dons.

Meu amor, porque não está aqui?
Sabe que te quero a alma,
Vou te comer pelas palavras,
E teu corpo.
Deixar-te intacto e
Cada vez maior.
Para me tornar plena
No grito do meu gozo.
Entra no meu corpo
Absorve um tanto da minha alma desnuda
Ela nunca se esvai de sentidos
Sou fortaleza,
Se esconde do mundo em mim.

Anna Amorim, 2010

domingo, 30 de outubro de 2011

Memória

Toda perda anda cravada em minha mente
Como dói a memória de tudo que jamais poderá ser esquecido
Como um choro de bebê não nascido
Continuo a caminhar sob a pena do teu nome
Inconfesso amor que deixei para sempre na possibilidade de ser

Toda perda anda cravada em minha mente
Espinhos que teimam em reinar em minha vida
Toda ida, como dói
O choro aflito de outros em meus ouvidos
E tudo dito entre nos
Todo mal ainda que em tempo morto.

Toda memória
Todo presente
E o futuro que mata cada momento
Na incerteza de ser deixei-me

Sou a que escreve no tempo da morte histórias de fragmentos de vida

Toda perda anda por minha mente
Dilatada em minutos temas
Palavras e o umbigo cicatriz

Ouço um grito de nascimento e o último que acossa
Deixe-me
Ainda é tempo

Sempre há tempo até o último tema
A não ser que já não temas
Direi: É cedo
A morte de ontem fez nascer a dor e o dia de hoje
Na minha mente toda  perda e desejo de vida lutam

Lute comigo pela vida
Ainda é tempo
Tempo que se fará memória 

Anna Amorim, out, 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Variações da Ausência de Antes



Pecado é acordar úmida e só da tua ausência
Pecado é o que me infligiram na infância
O passado que invade e repete
Toda angústia de antes

Digo em oração teu nome
Sigo pegadas na areia
Meu amado irmão, por que ele nos abandonou?

Quero nascer de novo e ser eu mesma
Em nova vida não mais rememorar
Que o inédito me diga tudo que não sei
E dou todo meu conhecimento em troca de sorrir ainda criança

Vendo os olhos e vejo
Escuta, ele chega
È minha mãe quem diz tudo aos meus ouvidos aflitos

Homem vem morar comigo dentro de outra realidade.
Pecado é não ter você ao meu lado
Pecado é acordar úmida e só na tua ausência

Anna Amorim, 20/02/2011


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Reencontro em Espelho


Quando? Não sei exatamente. Mente?
Sim. Ele mente. Todos os homens mentem.
E, no entanto, ele era fiel e minha verdade.
Quando? No futuro, que não chegou. Acabou antes.
Um dia acordei. Abri os olhos pesadamente. Abri os olhos sofregamente. E o que vi?
Estava sonhando e a realidade sorriu para mim, finalmente.
Mente. Eu vi que eu era metade de tudo que adorava em nós, de toda grandiosidade de palavras e corpo, e voltei ao estado estranho da inteireza perdida e solitária.
Eu não desejei isso, mas imposta a verdade eu me conduzi do fim do que éramos ao princípio do que sempre flui. Fui.
Haveria ainda dias de vazio? De questionamentos? Depois deste encontro com a verdade?
Não sei.
Quando? No presente agora.
Ele foi embora e voltou, e foi e voltou, e foi para sempre, mente. Simplesmente, foi.
Foi-se da minha mente. Foice que corta.
Certamente fui perfeita em tantos momentos, mas como sê-lo todo tempo.
Como ser real e permanecer distante tempo suficiente para ser uma aparição na vida do outro?
A mulher precisa ser enganadora para sustentar a verdade que o homem lhe exige, enquanto mente para si. Será única forma, através da ilusão, de viverem suas verdades?
Quando? No futuro que chegará um dia. Juro! Verdade.
Uma ilusão entremeada de realidade, como o livro que se lê e se vive, através da história. Outra vida criada por sua mente, a partir de outra mente. A minha e a dele e nossos corpos de novo, novamente.
Nova mente.

Anna Amorim, 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Separação



Quando nos perdemos?
Entre o sonho desejado e nunca vivido, entre a agonia de um novo amanhecer que traz o tédio do que se repete sempre. Perdemos-nos entre lençóis, temas, delicias reservada aos amantes.
Agora perdemos tudo.
A sorte habita o mundo de quem acredita. Na alma de toda gente que anda contente, e não, não pessoas como nós. Nunca mais, nós. Sempre adeus.
Deus eu pedi um dia, quando criança, uma verdade feita de amor e prece. E toda oração se desfez na dureza daquele cotidiano de tormentas sem nome.
Andei assim, nomeando sentimentos, fugindo de lamentos e no entanto sem poder amar. Até que um dia, no meio de tantos nós do passado quis construir a nós, Amor. Lembra? Da primeira vez, do primeiro olhar, do primeiro beijo?
Lembra de tudo que nunca foi jurado, mas desejado?
Sem grandes expectativas foi assim, construindo um elo. Mas eu gasto palavras e você verdades, e os dois, ambas as coisas. Tudo pra quê?
Para fugir do fim.
Eu andava nua pela casa, teu maior desejo, e nós fomos felizes assim. Entre espasmos de gozo, espaços de tempo, saudade e encontros.
Sinto saudades de tudo que formos e não pudemos ser.  
Um dia gritos foram ouvidos e almas espalhadas pelo chão frio.
Almas do passado que nunca repousam.
E nossos corpos foram separados por mais que um breve espaço de tempo, para sempre.
Eu mantive minha promessa, até o fim.



domingo, 28 de agosto de 2011

Lembrar Amor


Paixão esqueci o que era amor

Perdão.

Esqueci da doação sem troca dita justa
Bati no peito ofendida
Sei agora, minha culpa
Minha tão grande culpa
Foi ter amado com paixão.

Ah, se começasse de novo
Podia me machucar menos.
Fazer com que me ferisse menos
E não te ferir de modo algum.

Fechar os olhos para teus defeitos
Teus atos de crueldade
Minha maldade.
Tudo que é humano e imperfeito em nós
Voltar a sermos deuses.

Se deixasse eu cuidar de você...
Lembraria o que é amor.

Anna Amorim, 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

PALAVRA DE MULHER Comemora 2 Anos !

Esta postagem é em comemoração aos 2 ANOS de PALAVRA DE MULHER. Com esta poesia inaugurei este espaço de troca que tanto enriquece meus dias.
Quero agradecer a cada um que tem me acompanhado neste caminho de memórias e palavras.
Obrigada você são e dão o sentido a minha palavra.

Palavra de Mulher



Palavra de Mulher

Vejo uma mulher pelo fio dos anos a temer
o seu homem.
Pelo fio de tempo que enxergo atrás de mim,
antes muito antes.
No tempo incontável de uma história antes da história.
Reclusa
ela e seu rebento choroso agarrado pelas ancas
e toda a dor
da violência do seu homem.

Vejo uma mulher pelo fio dos anos a esperar
pelo seu homem.
Pelo fio de tempo que enxergo atrás de mim.
A esperar que a alegria voltasse ao seu rosto,
pelo seu homem
pelo fio do tempo
que vejo atrás de mim.
E o rebento choroso agarrado em suas preces pelo fio do tempo.
Uma mulher reza pelo seu homem que parte para a guerra,
ela e o rebento dentro do ventre choram
sem ele ainda o ser.

Banho-me em todas as lágrimas do fio do tempo da mulher.

Vejo uma mulher chorosa esperando
pelo seu homem que a trai pelo fio do tempo,
a rastrear passos em falso e toda a verdade que dói até não poder mais doer mais
Nunca mais.
Sempre e seu rebento vivendo no rosto da mãe a dor indecifrável
do que nada sabe e tudo compreende
pelo fio do tempo é que vejo

Embaraço-me no fio do tempo de todas as mulheres de todos os tempos

Vejo uma mulher descobrindo o amor que nunca teve por todo amor que sempre teve guardado.
Ele chega,
ele vai.
E o fio do tempo a ameaçar se embaraçar dentro dela,
e todo amor que arde até mais que o tempo que arde.
É tarde para tanto amor pelo fio do tempo
e todo desejo no tempo do desejo eu vejo.

Vejo uma mulher desejar esperar pelo tempo
Vejo uma mulher no fio do tempo se segurar
O fio do tempo que se estende
E a mulher a tentar brincar com fio do tempo como criança fora do tempo
Pelo fio do tempo da espera que tece
Palavra de mulher que vejo.

Vejo uma mulher no fio do tempo e um homem
Nada mais

Mas eis que ela que é dona da vida costura com o fio do tempo a vida dela
como quer
Vejo a mulher a esperar a tempo de conduzir pelo tempo novo de realizar
Vejo!

Anna Amorim, 2005

domingo, 21 de agosto de 2011

O Tempo



O tempo que devora pedaços de mim

O tempo que ferozmente fragmenta meu eu

Antes de o SER.
O tempo que abocanha pedaços da minha vida.
O tempo que corta minha pele envolta em sorriso.
O tempo que separa
Parte
Dividi.
Vida.

Maldito seja o tempo que te levou de mim.
Maldito o seja!

O tempo não é metáfora.
O tempo é minha morte anunciada!

Anna Amorim, agosto/2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre o Amor




Hoje desejo convidar a todos meus SEGUIDORES a ler o artigo "SOBRE O AMOR de mi ha autoria na r minha mais nova casa:  "Dialógos a luz da Psicologia e Psicanálise".
Este novo espaço foi criado dirigido aos profissionais da área da saúde mental e pessoas interessadas na relação do ser humano consigo, com o outro e com ambiente que o cerca. Neste você encontrará artigos, reflexões, notícias e várias intersecções da psicologia e psicanálise com as artes, como literatura e cinema.
Seja bem-vindo ao "Diálogos a luz da Psicologia e Psicanálise".

Acessar o link abaixo para ler o artigo "Sobre o Amor". 


Para terminar o post uma poesia de Drummond...
Permanência
Agora me lembra um, antes me lembrava outro. 

Dia virá em que nenhum será lembrado.

Então no mesmo esquecimento se fundirão.
Mais uma vez a carne unida, e as bodas
cumprindo-se em si mesmas, como ontem e sempre.

Pois eterno é o amor que une e separa, e eterno o fim
(já começara, antes de ser), e somos eternos,
fragéis, nebulosos, tartamudos, frustados: eternos.
E o esquecimento ainda é memória, e lagoas de sono
selam em seu negrume o que amamos e fomos um dia,
ou nunca fomos, é contudo arde em nós
à maneira de chama que dorme nos paus de lenha jogados no galpão.

(Carlos Drummond de Andrade, in: Os Lábios Cerrados

domingo, 14 de agosto de 2011

Meia Noite em Algum Lugar - Danny Marks

                 Eu queria poder cortar um sorriso eterno no meu rosto para fingir para o espelho sem esforço.  Pintar o mundo em preto e branco da forma como eu o vejo. Simplificar, esquartejar as palavras em versos que sangram.
            Onde está você? Não percebe que quando mando embora é quando mais preciso que esteja junto? O meu egoísmo dissolvido em copos que eu bebo na tentativa de dar um sabor a mim mesmo. Objeto de desejo.
            No sexo eu quero apenas voltar para dentro, do útero, inteiro, e nunca mais sair de lá, me agarrar entranhado, impossível de ser arrancado.
            Leva pra longe a sua alegria que ofende a beleza da minha tristeza, quer melhor poesia do que a dor produz? Isso faz de mim um herói? Um exemplo para o mundo? Não quero dividir o meu coração, em pedaços.
            Pode levar as minhas soluções, elas nunca me serviram. Não precisa me trazer os seus problemas que já estou rico de tantos meus. Quem disse que não tenho fartura? Vida caudalosa que me afoga, eu sem lastro, sem mastro, sem bandeira.
            Dei asas à imaginação e voou pra longe de mim. Alimentei com meu corpo o vazio dos dias até que fiquei preenchido de nada.
            Antes de pressuposto ter estado acima, cavei um buraco no solo e me lancei a ele para que me abraçasse, e fui cuspido.
            Queria me lançar da ponte em vôo cego, acolher a noite eterna sem medo. Mas eu temo. Maldito que me plantou a dúvida de continuidade sem me dar ao menos a esperança de um final.
            É no jardim de espinhos que planto a minha pele, para secar ao sol que um dia vai chegar, curtida no desaconchego de estar distante, no instante em que me olham, sem nunca terem me alcançado.


Danny Marks,
agosto , 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

Mais, ainda




Faz piada, rio à toa
Na vida
Só viro riso
Medo deste vício
Ainda que só meu olhar me mova
Envolva-me
Sem medo
Vivo à toa
Teimosa
Fala, não entendo muitas coisas e ouço, ouço...
Lembro oscilações, entonações
Medo de ciclos
Sangue
Experiência de mulher
Do que tens medo?
Do que tens horror?
Do que me dá prazer ou causa?
Ou dor?
Da verdade e planos
Sobreposições e planos
Nenhum platô e prantos
Mais, ainda.



Anna Amorim 
11.03.1999.


sábado, 30 de julho de 2011

Amantes





Eram amantes separados pela distância. Ligados por inúmeros fios de pensamentos um ao outro, que compunham uma força que puxava um ao outro cada vez mais. Atados pelo desejo. Algumas vezes tinham o trabalho de desatar nós. Ninguém podia compreender como podiam se sentir tão próximos, tão unidos mesmo quando não se viam, não se tocavam, não saciavam a sede que abrigava seus corpos pelos fluídos um do outro.  Suor, saliva, sexo.   Sustentavam-se assim, no cotidiano das palavras, das notícias, das lembranças. E da espera do próximo encontro.

Anna Amorim
22/09/2009

Do Desejo - Verso III - Hilda Hilst


III


Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer. 



Hilda Hilst 
(Do Desejo - 1992)



segunda-feira, 11 de julho de 2011

ALEGORIA - Abgar Renaut





Em vão busco acender um diálogo contigo:
a alma sem tom da tua boca de água e vento
despede cinza, névoa e tempo no que digo,
devolve ao chão o meu mais longo pensamento,

e entre cactos estira esse deserto ambíguo
que vem da tua altura ao vale onde me ausento,
procurando o teu verbo. O silêncio, investigo-o,
e ouço o naufrágio, o vácuo e o deperecimento.

Sonho: desces a mim de um céu de algas e rosas,
falas às minhas mãos vozes vertiginosas,
e palavras de flor no teu cabelo enastro.

Desperto: pairas ainda em silêncio e infinita:
meu ser horizontal chora treva e medita
tua distância, teu fulgor, teu ritmo de astro.

Abgar Renault
In Sonetos antigos

Convite




Eu estou feliz

Complexidades
Complexos
Fantasmas
Dão dois passos para trás
Recuam em reverência absoluta
Em função dela
De sua beleza e simplicidade
De sua luz e sua força
De sua magnitude que não é feita de grandeza
Vem do efêmero capaz de perdurar nos corações menos atormentados
E às vezes no meu e no teu apesar dos pesares
Olham não se trata de uma fantasia
É tão real podemos tocá-la
Ela ao contrário dos outros sentimentos nada teme
É tão forte
É tão nossa
Vamos desfilar de mãos dadas com ela
A felicidade?

Anna Amorim, 25/01/2009

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Ciclo da Vida: Do primeiro choro ao último suspiro


Caros Amigos,

Desculpem a ausência. Estava em trabalho de TRANSFORMAÇÃO para continuar o ciclo da VIDA.
Em breve, meu SITE e BLOG dedicados a minha atividade como psicóloga e psicanalista.


Nosso corpo precisa de uma rotina, horários para comer, dormir, trabalhar, lazer. Note que quando dormimos menos ou acordamos em intervalos intercalados por um dia já sentimos a diferença, mas que pode ser logo recuperada, ao contrário se dormimos mal por alguns dias, nosso corpo e mente ficarão cansados, começamos a ficar lentos ou irritados.
O que somos, almejamos, projetamos no mundo. Estendemos ao nosso ambiente de trabalho e/ou casa um pouco de como somos e sentimos através da disposição dos objetos, escolha dos mesmos. Retratos, lembranças, sonhos. O desejo de mudar a disposição dos móveis, comprar novos móveis para casa, espelha o desejo da mudança, mas isso vem depois de um período. Estabilidade e continuidade não excluem transformação. Assim também o é em todos nossos relacionamentos. Conhecemos alguém, desejamos sexualmente e começamos a nos encontrar. Podemos começar apaixonados ou  gostar do antes e depois o suficiente para desejarmos nos encontramos novamente com aquela pessoa e na repetição dos encontros cada um revela algo novo e ao mesmo tempo encontramos o mesmo. Ao nos identificamos com alguns aspectos que também encontramos em nós em menor ou maior proporção, desde aspectos da personalidade até gostos pessoais, ao termos prazer juntos e em estar juntos, começamos a querer compartilhar mais destes momentos. Da paixão podemos passar ao gostar muito e ao amor. O amor comporta a tolerância do que não gostamos, justamente sustentado por tudo que admiramos e gostamos no outro.
Depois de alguns anos as revelações são menores, sabemos como o outro reage, se está de mau humor ou realmente deprimido, como lida com a raiva, se é mais compreensivo ou exige que o sejamos mais. Quanto mais duradora uma relação, mas encontraremos o mesmo e o novo, porque mudamos não características estruturais, se somos introvertidos, sempre o seremos, mas podemos ser introvertidos sociáveis e fazer novas amizades em uma festa com 40 anos que não faríamos aos 20. Aos 40 estamos lidando com algumas questões diferentes das questões que iremos lidar aos 50 anos e bem diferente de questões que tivemos que lidar aos 20 anos.
Esse processo se chama: VIDA.
Estamos contra o fluxo da vida ao almejar efemeridades. A nossa cultura que  idealiza apenas o novo,  a juventude, a embalagem e não o conteúdo. A efemeridade dos encontros não como uma fase da vida, mas como uma forma de vida que evita o relacionar-se com o outro. O eremita se relaciona durante anos com alguma abstração, uma ideia, é uma forma de vida. O que quero dizer é que sempre estamos nos relacionando quando vivos e saudáveis ou adoecemos.
Amadurecemos e crescemos em relação. A partir do reconhecimento quando bebês que há um outro e começamos a ter que lidar que não somos tudo, não somos completos, que precisamos do outro. Ficamos frustrados e irritados e se tivermos sido bebês com alguma sorte podemos chorar e ser atendidos. E podemos aprender a tolerar a espera, a ausência e almejar a chegada da mãe, seu cheiro e cuidado. Seu toque e sua atenção. Se a frustração por necessitar do outro não for grande demais para o pequeno bebê ela começará a desejar conhecer o mundo, ir e vir, e aceitar as idas e vindas do outro. Se os pais não lamentaram por seus bebês estarem crescendo e ficarem contentes com isso, se suportarem que suas crianças virem adolescentes por um tempo rebeldes e adultos que irão realizar os próprios sonhos não os deles possibilitarão que seus filhos entrem no ciclo da vida, que envolve perdas e ganhos, continuidade e transformação. Se isso não foi possível, podemos fazê-lo ser ainda que adultos. Como? Ao aprender a lidar/ suportar a dor da ausência e da perda, que precisamos do outro. Quando adultos e mais difícil que quando pequenos, mas nunca impossível.
Podemos aprender uma lição que se repete por toda a vida, que os finais podem ser transformados em aberturas para novos começos a partir de tudo que construímos, que fomos e somos e seremos.
Do primeiro choro ao último suspiro.

Anna Amorim, 2011


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Eu, Sumé - Marco Moretti Lançamento sábado 11/12/2011


Hoje tenho um convite especial a todos vocês. O lançamento do livro “EU, SUMÉ”, do querido amigo, professor e coordenador do curso de Jornalismo do campus Vergueiro da Universidade Paulista, Marco Moretti.  
MAIS UMA GRANDE OPORTUNIDADE DE  PRESTIGIAR A LITERATURA BRASILEIRA.
ESTAREI PRESENTE E AGUARDO VOCÊS!!!


Gilgamesh, Eneias, Siegfried, Rei Arthur.

            A essa estirpe de heróis lendários, fundadores de impérios, pertence Sumé. Personagem mítico dos indígenas brasileiros, sobre ele contam-se muitas e fascinantes histórias. De acordo com essas narrativas, passadas oralmente de geração em geração, Sumé era um homem de cabelos e olhos claros e barbas compridas e teria chegado ao Brasil a bordo de um barco, oriundo do vasto oceano, séculos antes dos europeus aportarem em nossas praias.
               Para os padres jesuítas, que aqui chegaram em companhia dos conquistadores lusitanos, não havia dúvidas. Sumé era ninguém menos que o apóstolo peregrino São Tomé, que teria vindo ao Novo Mundo para propagar a fé cristã. Para alguns dos estudiosos que analisam o mito nos dias de hoje, porém, trata-se tão somente de uma criação imaginária coletiva. Qual a verdade sobre esse fabuloso herói, o primeiro de nosso país? Teria ele existido mesmo?
            Neste livro, você vai conhecer a provável história real por trás do mito de Sumé, quem ele foi, de onde veio e como e por que enfrentou perigos e desafios colossais para chegar até o Brasil e o incrível destino que o aguardava em nossas terras. Mais que um mero relato de aventuras, Eu, Sumé é um empolgante épico que lança luz sobre um interessante capítulo de nossa história até hoje ignorado.
Vamos viajar juntos?


Título: EU, SUMÉ
Autor: Marco Moretti
Editora: Novo Século
Número de páginas: 360
Edição: 1ª
Preço sugerido nas livrarias: R$ 34,90
Site: eusume.com.br
E-mail do autor: mmarcomoretti@uol.com.br

Amo

Barbara Cole

Amo
Amando
Teço teias
Minha vida
Nudez desmedida.
Faço façanhas tamanhas
Onde desejo, morro, chego viva.
É verdade a minha vida é mentira!
Desces as mãos pelo meu corpo
Estou umedecida
No grito vivo
És minha vida.
É tua a despedida.
É tarde, é cedo.
Onde estava que já vinha?
Subo alamedas, é minha a subida.
Entorpeço.
Amanheço.
És meu sonho, vem ouvir meus segredos...
  
Anna  Amorim
1998