quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Soneto de Devoção - Vinicius de Moraes




























Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! – uma cadela
Talvez... – mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Vinicius de Moraes, 1937 in Livro de Sonetos 


3 comentários:

  1. Perfeito!

    O São Vinícius realmente operava milagres com as palavras.

    Bjim.

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  2. Moa,

    Adorei o comentário lúdico e verdadeiro!

    Beijos,

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  3. senti falta, andou sumida... mas não deixo de vir aqui me inspirar!

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