terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os deslimites da palavra - Manoel de Barros



  2.5
 Ando muito completo de vazios.
 Meu órgão de morrer me predomina.
 Estou sem eternidades.
 Não posso mais saber quando amanheço ontem.
 Está rengo de mim o amanhecer.
 Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
 Atrás do ocaso fervem os insetos.
 Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
 Essas coisas me mudam para cisco.
 A minha independência tem algemas.

 Manoel de Barros