sábado, 14 de dezembro de 2013

Travessias

Brooke Shaden
vagos espaços
descobriam a trama
em vão

qualquer lugar
transposição

soltava a mão e corria
criança

uma lembrança solta
caía


Anna Amorim, 09/11/2013

Sob teus pés


Barbara Cole
vestida de urgências
coração de presságios
percorreria o caminho
não fosse os pés atados á memória

Anna Amorim, 26/09/2013

Guimarares Rosa e Aracy De Carvalho


“A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”. Com esta epígrafe, começa um dos maiores fenômenos da literatura mundial, Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de João Guimarães Rosa.

A história do relacionamento entre Rosa e Aracy é digna de um filme. Estamos em 1934. Ele, já separado da primeira mulher, Lygia Cabral Penna, e descontente com a medicina, resolve prestar concurso para o Itamaraty. Graças à sua vasta cultura geral e conhecimento de línguas é aprovado em segundo lugar no  concurso para diplomata no Itamaraty , e nomeado cônsul adjunto em Hamburgo, cargo de grande importância, em uma cidade-porto que devido ao seu histórico papel como centro comercial internacional tem mais consulados do que qualquer outra no mundo, com exceção de Nova York. Chega em 1938, e conhece Aracy. 

Juntos, viajaram pela Europa, passando pela Itália, França e Suíça. As impressões dessas viagens foram fonte de inspiração para livros como Grande Sertão: Veredas. “Por esses longes todos eu passei, com pessoa minha no meu lado, a gente se querendo bem”, diz o jagunço Riobaldo, em cuja narrativa se estrutura o romance, em uma possível referência à companheira. 


Rosa permaneceu em seu posto até agosto de 1942, quando submarinos alemães torpedeiam o navio brasileiro Baependi. No dia 31 de agosto o Brasil declara guerra à Alemanha. Diplomatas brasileiros, entre eles Guimarães Rosa e Aracy, ficaram sob custódia por mais de quatro meses em Baden-Baden, e finalmente são trocados por diplomatas alemães. Guimarães Rosa e Aracy embarcam para o Brasil, via Stuttgart, Madri e Lisboa. 

O casal instalou-se no Rio. Como não podem se unir legalmente – ainda não existe o divórcio no Brasil – casaram-se por procuração, no México, como era de praxe na época. Ele ainda ocuparia cargos diplomáticos de grande importância – foi nomeado, por exemplo, para a Conferência de Paz em Paris, e ganhou status de embaixador. Aracy abdicou da carreira diplomática e preferiu ficar ao lado do escritor. Rosa dedicava-se cada vez mais à literatura. Em 1946 publicou Sagarana. Em 1956, Corpo de Baile, e logo depois Grande Sertão: Veredas.

Seguiram juntos até o infarto prematuro de Rosa aos 59 anos de idade no ápice da sua carreira literária.

domingo, 24 de novembro de 2013

Sentenças


Emmanuelle Bousquet
dentro repito
sentenças
temo presságios
ordeno que saias.

dentro vivo
ausências
a lucidez consistente do vazio
permaneço só

dentro respiro
tua pele
única verdade
peço que voltes

entre/saias

Anna Amorim, 26/09/2013

domingo, 10 de novembro de 2013

Dias e Noites (retrato)

imagem: Brad Kunkle

pisadas as flores, sonhos d´alma
caminham os dias sobre mim
liquefazem-me os suores

débeis quadros de papel
pairam memórias
os olhos repousam
até o relógio despertar
 
Anna Amorim, 23/10/2013

la petit mort


pé ante pé
o avesso
da sala
o escuro
atravesso
dos pêlos
tateio
até a voz
o grito
a loucura


silêncio

repouso
a tez cansada

Anna Amorim, 26/09/2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Palavra-imagem 1: Das ausências em cena fechada



incompleta  palavra
um soluço
choro
pena
escrita incompleta
feito verso pela metade

apenas

ela.


Anna Amorim,  Set/2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Registro mnemônico


pakayla rae biehn
no pulsar
inconsciente     
um traço
repete

voz de poeta
leitura silenciosa
na tua mente
sigo


Anna Amorim, 26/09/2013

domingo, 6 de outubro de 2013

Amaria



sem agasalho enluara nostalgias
sonhava o passado sem medo
nele nada mudara

repetira assim toda noite um amor

sem interrupções.

Anna Amorim, 26/09/2013

sábado, 28 de setembro de 2013

Auto-criação



gerar-me de novo
mãe-terra em tua cova
renascer gêmea de mim

parir a letra
nunca calar a voz
habitar
meu corpo

pisar no afasto mãe-terra
sob ti
sem medo
andarilhar 

26/09/2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Onde habito





sofrem os loucos
dormitam em mim
gerações
á espera de acalantos
antes de nomeações
esperam os justos
aqueles que se tornaram injustos
os que choram
os que riem de mim
e os dentes cerrados
— criança vem pra dentro—
ouço tua voz
por entre frestas do tempo
acalmo.

Anna Amorim, 24/07/2013

Hemel (2012)


Hemel  (que significa céu em holandês) é um sensível drama de  2012, estrelado pela jovem atriz Hannah Hoekstra  e Hans Dagelet (Gijs), dirigido por  Sacha Polak.
O filme se destaca pela poética fotografia e crua realidade das dificuldades do relacionamento do pai Gigs com sua filha Hemel.
Gigs cria sua filha sozinho após um caso passageiro em que a mãe da criança comete suicídio. Não estabelece uma relação de amor com outra mulher, tendo várias tentativas ao longo da vida até sua filha se tornar adulta. Hemel torna-se uma jovem agressiva, provocativa, mantendo uma vida sexual com diferentes parceiros evitando qualquer tipo de envolvimento afetivo. Em uma das cenas em que um homem é carinhoso após terem relação sexual ela diz: “você não precisa fazer isso.” Diz que não gosta de pós-preliminares e acabar por pedir para ele sair.
Hemel se identifica com o pai, mas sem perceber que o padrão do pai é menos rígido. Ele mantém relações sexuais/afetivas por um tempo, é monogâmico, embora não consiga se entregar a uma relação plenamente,  enquanto ela evita qualquer intimidade. O único padrão de amor que Hemel conhece é adoecido, é o amor que ambos tem um pelo outro e que os prende, um amor fusional, que não delimita os espaços, que funde um ao outro e por isso é agressivo, difícil, traiçoeiro.
Em uma das cenas vemos Hemel chegar e o pai ignorá-la enquanto continua a tocar trompete. Ela o abraça pelas costas e o beija no pescoço, ele lhe chama a atenção preocupado que ela tenha sujado de batom sua camisa, logo estão no chão brincando de lutar, como se ela fosse um filho homem, ao mesmo tempo a cena remete a uma intimidade de casal. Nesta cena e ao longo do filme fica a sensação embaraçosa para o espectador de ver pai e filha emaranhados nas teias de um amor onde um pai não soube barrar o amor edípico de sua filha, embora a tenha amado como filha e cuidado dela, o que temos conhecimento na última cena. Teria sido a ausência na sua vida da vivência de amar e ser amado por uma mulher que o teria impedido de barrar este amor da filha para além do amor ao pai-homem? Possivelmente.
Desta forma o pai a trata ás vezes de forma  agressiva e brusca, ao mesmo tempo que outras vezes não impõe limites na intimidade que poderá haver entre eles. Resta a filha o sentimento confuso de ser constantemente rejeitada ao mesmo tempo que é exposta a um suposto amor sem limites que algumas vezes a coloca num lugar infantilizado, noutras de um menino-rapaz ou da mulher do pai que poderia supostamente em sua fantasia formar um casal.  Porém dois encontros vem mudar o rumo desta história. O apaixonamento da filha por um amigo do pai, um homem casado, que não vem a amá-la, mas com quem vive uma troca afetiva e a decisão do pai de morar com Sophie, a mulher pela qual encontra a via para o amor na idade madura. A esta mulher ele entrega um anel om a seguinte escrita: “Você me faz humano.” Haveria maior definição do que esta para o amor?

Abaixo um trecho do filme onde o pai revela a filha que irá morar com Sophie e ambos discutem sobre o tema amor. 

Pai: Vou morar com Sophie

Filha: Ela é a mulher certa?

Pai: Acho que sim.

Filha: Onde

Pai :Em nossa casa

Filha:“Nossa” com “você e eu” ou com “você e ela”?

Pai: Nossa com “minha casa”. Você tem sua casa. Você pode ficar com o seu quarto, é claro.

Filha: Por que vai morar com ela? Nunca fez isso antes. Por que a ama?

Pai: Eu sinto que não preciso esconder nada pela primeira vez na vida.

Filha: Isso é amor? Para mim amor é querer saber tudo que o outro sabe, ser a mesma pessoa que ele por dentro.

Pai: Acho que as diferenças são o mais interessante.

Anna Amorim, 22/09/2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Jogo - o mais recente livro de Danny Marks

Caros amigos e leitores do PALAVRA DE MULHER é com enorme satisfação por mais um trabalho do qual possamos nos orgulhar que apresento a vocês o mais recente trabalho do escritor DANNY MARKS. Espero que todos tenha a mesma emoção e sobressaltos que eu tive aos longo desta jornada.


Faça-se o Jogo!!!

Quando as forças Universais personificadas: o Pai, Irmão Escuro e Gabriel se confrontam, o universo é criado e o Jogo se faz pela vontade do Pai. 

Não há vencedores no jogo, não há derrota possível, apenas vida ou inexistência aguardam cada lance. Regras pré-estabelecidas, delimitam os caminhos a serem seguidos, estratégias obscuras onde vida e morte se confundem. Luz e trevas digladiam pela supremacia, o destino é escrito determinando o próximo obstáculo.

A cada persona criada surgem novas possibilidades. Bem e mal, ódio e amor, inveja e poder se revezam nessa busca pelo objetivo supremo: Liberdade.

Quando o Ser Humano é criado pelo Pai, à revelia dos outros jogadores, a instabilidade e a tensão entre as forças universais se instaura definitivamente e as estratégias se tornam mais ousadas e mortais.

No jogo não existe certo ou errado, a supremacia se faz pela inteligência, pela habilidade, pela capacidade de ludibriar os adversários. Os cenários se apossam da vida, peças que lutam n a busca desesperada pelo sentido maior por trás de cada jogada, por trás das verdades e mentiras veladas.

Na ilusão desfeita jaz o Segredo da Vida, sob o andar lento do destino, implacável, que não respeita deuses ou homens e que submete a todos pela vontade do Pai.

A cada capitulo as regras do jogo vão sendo desveladas e o cenário estabelecido, os personagens definidos contam suas histórias e os seus atos transformam os rumos da narrativa envolvendo o leitor em suas ardilosas tramas e subtramas. Os figurantes assumem suas posições, os interesses alinhados com os objetivos individuais, cada qual traçando sua própria batalha tentando garantir sua sobrevivência e permanência.

Da Luz e das Sombras surgem cores, formas e formatos que determinarão como cada peça se comportará, seus motivos e explicações. O Jogo não é feito apenas de atitudes, se completa no tabuleiro, nos pensamentos e na vida de quem joga e de quem assiste.

Baseada em relatos milenares da Lenda do Livre Arbítrio à Criação do Mundo esta narrativa transcende religiões e interesses, tornando-se um épico de filosofia em um mundo onde evoluir é mais do que um acaso fortuito, é a causa fundamental da existência.

Apenas aqueles que possuem coragem de encarar os seus próprios medos e verdades devem adentrar este espaço e construir o seu próprio JOGO.

Disponível no formato E-Book na Amazon (siga o link abaixo)
 
http://www.amazon.com.br/O-Jogo-ebook/dp/B00EYPEJJ0/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1378257007&sr=8-2&keywords=o+jogo



PRÉ-VENDA:

Até o dia 25 de setembro de 2013 a NAVRAS Digital e Danny Marks vão estar disponibilizando O Jogo por apenas R$ 25,00 com frete incluso. Única oportunidade de entrar nesse partida inicial com vantagem sobre os outros jogadores. 


Siga o link e entre nesse JOGO, ou você vai ficar nas sombras?


Curtam a Fan Page no Facebook https://www.facebook.com/danny.marks.1650

domingo, 1 de setembro de 2013

Inconsciente




abrir os olhos nas manhãs
nascer do mundo
abandono dos sonhos
realidade  invade o aconchego
insultando o corpo ao movimento
rumo ao orbitar vazio
o silêncio da verdade

vagas neste ínterim até morrer
o mundo nos teus olhos

e nascer em outra vida

Anna Amorim, 2013

Diário - Virginia Woolf



Porque será a vida tão trágica?, tão semelhante a uma pequena faixa de passeio sobre um abismo. Olho para baixo; sinto vertigens; não sei se vou conseguir caminhar até ao fim. Mas porque sentirei eu isto? Agora que o digo já não o sinto. Tenho a lareira acesa, vamos à Beggar’s Opera. Só que isto paira em mim; não posso fechar os olhos a isto. É uma sensação de impotência: a sensação de não estar a realizar nada. Aqui estou eu, em Richmond, e, como uma lanterna no meio de um campo, a minha luz esfuma-se na escuridão. A melancolia diminui à medida que vou escrevendo. Então porque não escrevo eu mais vezes sobre isto? Bom, a vaidade proíbe-mo. Quero ser um êxito até aos meus próprios olhos. Contudo, este não é o fulcro da questão. É que não tenho filhos, vivo afastada dos amigos, não consigo escrever bem, gasto muito dinheiro em comida, envelheço – dou demasiada importância aos quês e porquês; dou demasiada importância a mim mesma. Não gosto que o tempo esmoreça.

Diário, 25 de outubro de 1920. Bertrand, tradução de Maria José Jorge, p. 226

domingo, 25 de agosto de 2013

Os outros


um novo dia de sorrisos
falsos
começa
vejo-os entre si


                         estou só

ouço
burburinhos
bocas pequenas dizem minha não realidade

olhos que não me vêem
perfuram
a beleza do mundo


Anna Amorim, 24/08/2013


domingo, 11 de agosto de 2013

Nem sempre é necessário tornar-se forte...(Clarice Lispector)


"...nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.

Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar".

(In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p.50)

Minhas Homenagem ao Dia dos Pais a todos aqueles que ousam chorar.

Face e Verso



tempo de não existência
entre afazeres aturdida
sem acolher a palavra

sem lágrimas
sem sal
exausta de enxugar
meus suores e teus medos

sentada no vivido
dormindo sobre o pó dos dias
inconsciente

agora apenas as partes externas
as ruas
a acompanhar meus passos cansados

o movimento do corpo
agitar dolorido

tanto tempo sem sentir
esqueci
face e verso

sem rosto e palavra sigo.

Anna Amorim, 25/05/2013


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Vida ausente

Dentro de mim repousa outra vida,
minha verdade,
existindo num outro tempo

E ainda que tenha olhos é minha memória que vejo 

Vivo a vida ausente, na lacuna
nas letras mortas.
O presente é triste, neste sou sombra
O futuro é  fantasma da vida que deveria viver

Porque nasci tardiamente
E hoje visito o nascimento que se tornou lento, quente...

Sua ausência é deserto d´ alma
Minha escrita fértil
Meus sonhos letras
Minha memória furta-me do presente,
dela vivo
lembrar-te

ausente.

Anna Amorim, 2000


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Realidades II


As lágrimas secaram no rosto. Abriu a torneira e a água ajudou a se restabelecer,   sua tez atordoada cobriu de pó. Tudo ao pó volta, rápido pensou. Tinha um intuito: despistar dos dias o ar sombrio que encerrava por dentro. Despistar os olhares da sua dor. 

sábado, 13 de julho de 2013

Das asas o desejo



paira nas costas o desejo de voar
encostas

beber da água as impurezas
a envenenar a vida
habita ainda o anjo imaginário a tecer.

Última réstia sob a porta fechada.


Anna Amorim, 30/05/2013

sábado, 6 de julho de 2013

Olhares distantes



os olhos insistem
na penumbra
anseio

sonham ser
vigilantes do tempo
o aconchego dos abraços

pernas cansadas, lábios secos
olhos insones, choram os dias vazios

na estante da memória dormem
olhos enamorados.

Anna Amorim, 08/05/2013

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Oração para dormir



Quero nascer de novo

Quero fazer de conta que fui criança
brincar de esconde-esconde
da vida.

Quero uma existência leve
vento e luz.
Tudo que me leva pra sempre.


Anna Amorim, 14/09/2012

domingo, 23 de junho de 2013

O nome do desejo





Teu corpo leio
com a ponta dos dedos
com a língua tateio
sem palavras

Anna Amorim, 30/05/2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Preces



prece de desejo
na noite nunca cala 
da forma bela as palavras
poesia.

Anna Amorim, 21/08/11

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Realidades



O vento ditava realidades. Nunca mais. O vento em descabelar aflito obrigava o pentear improvisado dos dedos, a necessidade de correr da chuva. A língua áspera quando não desejo apenas feria. Ainda assim insistia em sonhar.

Anna Amorim, 2012

sábado, 1 de junho de 2013

Começo do mundo



teus olhos a ser os meus
espelho a plantar alma
no meu corpo

as paisagens de você
preenchiam as minhas aflições de não-ser
ainda

gerando-me de novo.

no começo do mundo

Anna Amorim, 31.05.2013
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Adormeceres



 

necessito um domingo
para sempre
descansar das agruras da vida
da boca dura
da fala obscura
das difamações dos dias falidos

De quietute e aconchego feito
como o amor sonhado
infindável

necessito apenas para viver
mais uma próxima semana
até ele chegar
inteiro

para sempre.

Anna Amorim, 25/05/2013

sábado, 25 de maio de 2013

Alucinares


alucino imagens
reflexos de luz
penetra as pupilas cansadas
excita retinas
recordar neurônios

subita luz
me afasta da escuridão
e do que sou
ainda assim cega-me
cega-me!

Anna Amorim, 03/04/2013

domingo, 12 de maio de 2013

Eu-Ela (in memorian)







Chamaram-me de filha.
Deram-me o nome dela.
Ela, minha mãe.
Ana.

Tenho esta dolorosa sensação que a deixei.
Embora minha casa ao lado.
Agora a casa sem ela.

Antes conheci dor sem nome.
Agora sei o nome da dor.
O nome é separação.
O nome é morte.
Tenho o nome dela.

Eu, Ana, tua filha
Ana, minha mãe!
Espelho de m´alma.


Anna  Amorim, 1999
Homenagem a minha mãe Ana Maurício de Fairas (in memorian)



Os versos mais lindos perdi para o céu (in memorian)




Ausência
Negro
Branco
Vazio e
Nada
Nada valem meus versos.

Os versos mais lindos perdi para o céu.

Onde estás?
Além da minh’alma
Das marcas que outrora marcaram o meu corpo
E orquestram meu desejo
Onde está a sonoridade da sua voz?
Além do murmúrio do meu ouvido
Onde está seu sorriso, sua alegria que festejava minha chegada
Onde estou se não estou nos lugares que aparentemente chego

Se gritar, me escutas?
Enxuga-me as lágrimas que não chorei
Nenhum verso retrata a essência da sua presença
A dor da sua ausência
De que valem?
Nada
Vazio
Ausência.

Anna Amorim, 1999
Homenagem à minha mãe Anna Maurício de Farias

sexta-feira, 26 de abril de 2013

pai(rar)



pairam seus olhos no fundo das minhas retinas
recriminando atos

sem ação fito espelho
vejo tudo que ignoras em mim.

Anna Amorim, 25/04/2013

terça-feira, 23 de abril de 2013