Quando já
não esperava e a cama amarga e insone era ainda assim cômoda lembrança. Quando
acostumada a enredar com o nada temas antigos a fazer-lhe companhia.Quando
havia conseguido enterrar sonhos e finalmente acalmou-se ele chegou com largo
sorriso. Ressurgiu assim das cinzas uma rubra mulher e o fogo apagou-lhe a
memória de dor. Apegou-se de novo a cada palavra como se fora verso eterno. Arriscava-se
assim a riscar a vida numa tela em branca nuvem porque a chuva não lembrava mais lágrimas do céu. A sede da saliva era pura de
novo e saciada. Tudo era líquido e vida.
A cada dia nascia assim ela pelo meio
das pernas. Uma escrita em brancas coxas e no dorso o arrepio da respiração
fazia seu grito ecoar todo esquecimento
do que antes não fora.
Anna Amorim, 20/06/2012
