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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Esquecimento - Versão I (Prosa Poética)






Quando já não esperava e a cama amarga e insone era ainda assim cômoda lembrança. Quando acostumada a enredar com o nada temas antigos a fazer-lhe companhia.Quando havia conseguido enterrar sonhos e finalmente acalmou-se ele chegou com largo sorriso. Ressurgiu assim das cinzas uma rubra mulher e o fogo apagou-lhe a memória de dor. Apegou-se de novo a cada palavra como se fora verso eterno. Arriscava-se assim a riscar a vida numa tela em branca nuvem porque a chuva não lembrava mais  lágrimas do céu. A sede da saliva era pura de novo e saciada.  Tudo era líquido e vida. A cada dia nascia assim  ela pelo meio das pernas. Uma escrita em brancas coxas e no dorso o arrepio da respiração fazia seu grito ecoar  todo esquecimento do que antes não fora.

Anna Amorim, 20/06/2012