sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A Difícil Arte de Namorar um Homem que Escreve – Danny Marks
Nenhum relacionamento é fácil, ou não haveriam tantos tratados de paz e estudos de psicologia ao longo da história da humanidade. Mas, alguns são fadados a serem mais complicados que outros.
À bem da verdade, um homem que lê, ou pior, um cara que escreve, é complicado. Possui inúmeras camadas prontas, e mais outras mais abaixo, sendo construídas constantemente.
Namorar um cara assim é querer uma aventura sem fim, um descobrir constante com certezas que mudam a cada nova descoberta, mais profunda, que modifica todo o entendimento anterior. É fazer do desconhecido algo fascinante que vicia com seu jeito cativante, mas assusta com suas incertezas.
Cada dia um capítulo novo, cada ano o término de uma temporada e a incerteza de qual o rumo que será seguido na próxima. Se houver uma renovação do contrato com a produtora.
Para um homem que escreve, a vida não é feita de finais, ainda que felizes; são mais fechamentos de enredos que se alternam, se sucedem, que vão se sedimentando aos poucos em algo maior chamado simplesmente de obra. E essa coisa dura uma vida inteira, cheia de vidas e de altos e baixos.
Namorar um homem que escreve é ter que descobrir quando as lágrimas são de tristeza ou de alegria; quando o brilho no olhar é de sorriso ou dor; quando os gestos teatrais são para uma platéia ou apenas para pedir que o notem; quando os silêncios são de expectativa ou apenas de reflexão.
É muito difícil manter um relacionamento com um homem que escreve porque ele é muitos em um só, e é sempre o mesmo por traz de todos que aparenta ser.
Você pode conquistar um homem que escreve, mas ele jamais será seu.
Ele morre se você o prender, e vive mais intensamente se o deixar livre para escolher ficar. E nunca se sabe qual será a escolha que ele fará.
Ele é um universo inteiro, na fragilidade de uma pessoa. Sempre terá uma ideia nova, uma grande sacada, mas nem sempre elas vão chegar no momento que espera, da forma que gostaria.
Um homem que escreve é um companheiro para todos os momentos, mas você tem que saber ficar sozinha ao lado dele, pois às vezes ele estará muito distante em busca de você.
Namorar um homem que escreve é tão complicado quanto olhar-se no espelho e ver a sua alma refletida e ter que aceitar o que se vê sem julgar, da mesma forma que ele o fará.
Um homem que escreve jamais pedirá a você algo a mais do que ele mesmo possa lhe oferecer ou conquistar por si, mas receberá cada presente da sua alma como se fosse o que ele mais necessitava para se manter vivo, ainda que materialmente não se importe com valores.
Ele sempre será fiel às suas ideias, e a mais nada além disso, ainda que elas mudem com o tempo. Nada mais o fará respeitar a tudo o que encontrar com a mesma imparcialidade, com o mesmo empenho, que uma ideia que o convença, o conquiste.
O homem que escreve vive de ideias, não de ideais, embora muitas vezes pareça um mito, em outras, demagogo; mas ele jamais ira trair o que acredita, enquanto acreditar.
Um homem que escreve é o melhor amigo que se pode ter por perto, e o pior adversário que se pode desejar, pois com a mesma facilidade que constroi histórias de amor, produz tragédias.
Mas, se ainda assim quiser namorar um homem que escreve, então perceberá que a coisa mais importante para ele é que você seja feliz e que a única dúvida constante na cabeça dele, é se escolheu o homem certo para namorar.
E isso, só quando a obra estiver completa, ele saberá.
Do meu namorado e escritor Danny Marks
Autor do Livro Universo Subterrâneo
http://osretratosdamente.blogspot.com
sábado, 7 de janeiro de 2012
Descortina-me
Descortina-me
Pelas frestas do meu viver
Do meu abandono
Espera
Desejo
Tire meu batom com tua boca a escorregar nas delícias dos meus lábios carnudos
Abro a boca para tua língua
Desmancha meu cabelo ondulado
E faz a bagunça que queira da minha vida
Espero-te desde o mais longínquos dos tempos
Desde o tempo remoto de Adão quando fui banida a chegada da outra
E atravessei infernos e o deserto
Por este momento em que nua
Repouso ao teu lado.
Anna Amorim, 2010-2011
Ano Novo- Viva a Continuidade Geradora (reeditado)
A falta nos conduz ao desejo. Conduz-nos a fome de viver. Contudo, há uma linha tênue que pode nos conduzir a paranóia. Infelizmente o ano novo pode facilitar e nos “pregar peças”. Entre o que queremos conservar e mudarmos entramos em conflito e tudo ganha uma lente de aumento, e pior , na maioria das vezes extremamente distorcida.
Escrevo para você leitor, para que NÃO CAIA NESTA ARMADILHA. A folhinha mudou, você quer mudar algumas coisas, mas calma. Você é fruto de uma história e teu psiquismo funciona através de processos não PODE, não DEVE ser guiado pelo calendário sobre a mesa calado e sem conflitos.
Este balanço rápido e ansioso que fazemos durante a passagem da tão almejada férias foi baseado numa cronologia, não tem como respeitar desejos mais profundos e enraizados, desejos que o calendário não alcança numa simples virada de página. Tua sabedoria foi acumulada durantes anos, mas agora a ansiedade turva tua visão.
Ainda sob efeito de encontros familiares bem ou mal-sucedidos, quase sempre atolados em emoções contraditórias, férias e expectativas acumuladas da tão sonhada perfeição que não existe, encontros amorosos que foram desencontros pela máxima de que este ano tudo tem que ser diferente, pare e questione: diferente do quê? Você estava construindo algo pacientemente e por escolha, escolha refletida baseada em sentimentos profundos. CUIDADO pode destruir sonhos acalentados, pode sucumbir ao desgosto das esperanças não realizadas imediatamente, mas que aconchegavam e te impulsionavam para frente, pode se precipitar e o ano novo te leva a repetição do medo e sem perceber inconscientemente repete o medo de outrora.
CONSTRUA, questione, mas não deixe de valorizar a CONTINUIDADE. CONTINUIDADE de tua vida, do teu desenvolvimento, dos teus laços construídos com luta, perspicácia, cautela. Você é um continum no espaço-tempo.
VOCÊ é continuidade e mudança, vida e esperança. Morte e renascimento a partir de tudo que É, tudo que foi, tudo que já construiu é que SERÁ, só assim é possível o novo. Não se engane pelas falácias do novo que não abriga o ano anterior e todos os outros anos. Reveja projetos, mas não os desfaça, re-construa, construa, renove-se, mas conserve o que de dava prazer, apesar das ambigüidades, apesar dos conflitos, apesar das dúvidas, pois são elas que te fazem ser sensível, te fazem desejar e SER.
Anna Amorim, janeiro, 2011
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