domingo, 20 de março de 2011

Sonho



Sonho me deforma a memória
Conduz-me a ela
Dê-me uma forma
Como espelho no qual vejo uma imagem de mulher
Tire-me do lugar vazio da tecedura da própria existência
Nem que seja para um gozo mortífero
Quero esse pedaço se sonho que pulsa vivo como coisa que anda só
Dá dó acordar de mãos vazias
Constrói uma história ainda que mentirosa, onde vive minha verdade
Estou ansiosa por um momento: o do incansável
Tire a insônia
Olheiras profundas
Olhos abertos
Desperta-me do não sonho.


Anna Amorim, 1997

7 comentários:

  1. E que venha o sonho real...
    beijo querida..

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  2. Querida Anna, que bom ver tu postando outra vez!
    Pois é, demos vazão a nossa realidade subjetiva!
    Um grande abraço.

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  3. o sonho do incansável perdura,


    beijo

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  4. Sonhos, Anna, são para ser concretizados sem a simetria invertida do espelho. Beijos

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  5. Ninguém Durma!

    Não permitam que o sonho se acabe com o abrir dos olhos, não deixem que as areias do tempo escorram pelas mãos levando a esperança. Supliquem comigo a quem puder nos ouvir no mais profundo apelo que uma alma pode alcançar em seu silêncio.

    Então, talvez, a saudade venha apertar nosso coração como uma cunha em uma ceifadeira, sempre justa e sempre sendo possível inserir mais uma ou duas lembranças.

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  6. Já escrevias tão bem há 14 anos.
    Este poema é muito bom. Gostei.
    Beijos, querida amiga.

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  7. Anna, grato pela amizade e carinho, tenha um bom fim de semana, bjs

    A feiticeira da noite sopra estrelas no céu
    a lua torna-se mais cheia e resplandecente
    a noiva da colina asperge um suave perfume
    espalhando no ar o seu chamado envolvente.

    Trata-se de um convite ao amor e a amizade,
    vai ecoando pelos quatro cantos da cidade
    rua do porto, engenho central, repúblicas....
    nada passa despercebido ao clamor lançado.

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