Eu queria poder cortar um sorriso eterno no meu rosto para fingir para o espelho sem esforço. Pintar o mundo em preto e branco da forma como eu o vejo. Simplificar, esquartejar as palavras em versos que sangram.
Onde está você? Não percebe que quando mando embora é quando mais preciso que esteja junto? O meu egoísmo dissolvido em copos que eu bebo na tentativa de dar um sabor a mim mesmo. Objeto de desejo.
No sexo eu quero apenas voltar para dentro, do útero, inteiro, e nunca mais sair de lá, me agarrar entranhado, impossível de ser arrancado.
Leva pra longe a sua alegria que ofende a beleza da minha tristeza, quer melhor poesia do que a dor produz? Isso faz de mim um herói? Um exemplo para o mundo? Não quero dividir o meu coração, em pedaços.
Pode levar as minhas soluções, elas nunca me serviram. Não precisa me trazer os seus problemas que já estou rico de tantos meus. Quem disse que não tenho fartura? Vida caudalosa que me afoga, eu sem lastro, sem mastro, sem bandeira.
Dei asas à imaginação e voou pra longe de mim. Alimentei com meu corpo o vazio dos dias até que fiquei preenchido de nada.
Antes de pressuposto ter estado acima, cavei um buraco no solo e me lancei a ele para que me abraçasse, e fui cuspido.
Queria me lançar da ponte em vôo cego, acolher a noite eterna sem medo. Mas eu temo. Maldito que me plantou a dúvida de continuidade sem me dar ao menos a esperança de um final.
É no jardim de espinhos que planto a minha pele, para secar ao sol que um dia vai chegar, curtida no desaconchego de estar distante, no instante em que me olham, sem nunca terem me alcançado.
Danny Marks,
agosto , 2011
Danny Marks,
agosto , 2011

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