domingo, 15 de novembro de 2009

O Espiral do Desejo






















Queria quebrar
quando percebeu era transparente, não vidro.
Vida.

Tal qual serpente passou-lhe pelo corpo escorregadio
enrolou-se no pescoço
quando mal respirava
desatinou a andar as voltas
com palavras que pensará estariam mortas.

Andava para trás, para frente

e circularmente.
Sempre se deparava com a serpente.
Mal sabia se era venenosa,
mas antes desejar a morte que a vida.

Quando percebeu

havia invertido
antes desejar a vida que a morte.

Anna Amorim, 1997


3 comentários:

  1. Lindo poema, Ana!

    Saudades de sua visita em meu espaço. Apareça.

    Beijos.

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  2. Acostumado com os seus poemas, eles sempre me pegam de surpresa no final...
    Ale Librandi

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  3. Este poema de 1997 é muito significativo. Trata da eterna luta entre Eros e Thanatos. Eu trabalhei com a serpente que pode matar, mas também nos conduziu para fora do Paraíso e o conhecimento do sexo gera uma nova forma de viver, conjugando prazer e dor. Há uma dúvida se a serprente é venenosa ou não. Há muito movimentos no texto, quebra, movimentos circulares, movimentos de recuo (regressão) e de avanço.Fico feliz pelo teu comentário e tua visita aqui.
    Beijos
    Anna

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