sábado, 23 de abril de 2011

Criação


Se vinda do pó sou
E ao pó retornarei ao não ser...
Cola tua boca na minha
Para salvar-me do afogamento
Divino.

Assopra-me as feridas
Tal qual o joelho esfolado foi assoprado
Este não sarou da dor do esfolamento
Do próprio assopro.

Assopra-me pra dentro
E não pra fora.

É tarde para não morrer já que se nasceu
Como é tarde para não viver o resto da vida.
Assopra-me outra vida
Entra em mim outra alma.

Não sou pó, sou barro
E do barro faço escultura
E a escultura dou o dom da fala: a boca
A mão o dom da escrita
Faço de mim eu iminente
Nem pó, nem barro
Sujeito vigente.

 Anna Amorim,  1998



7 comentários:

  1. Um poema belíssimo, cheio de lirismo, uma ponte entre os extremos que sempre aparecem inconciliáveis.

    Minha linda Poeta, que pulsa em sua alma sentimentos tão marcantes e intensos, possa sempre nos presentear com essas preciosidades e nos encantar com sonhos que ultrapassam todos os limites.

    Adorei o texto, parabéns!

    Beijos Mágicos

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  2. quase alucinante, de chegar quase até a lua, mas será que existe lua no cosmos humano?? Muito Bom!! sempre muito bom!! Me visita, preciso muito do teu olhar nas minhas poucas palavras!!

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  3. Querida amiga

    O que dizer
    diante de tanta
    beleza?
    Apenas sentir...

    Que o amor esteja sempre
    em ti.

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  4. Bom dia,Anna!

    Poesia intensa e imagem impressionante!!!
    Simplesmente assim!
    Beijos pra ti!
    Boa semana!
    **Obrigada pelo gentil comentário no post do dia do meu aniversário!

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  5. Anna: Quanto lirismo neste teu poema, Nasceste do pó da terra e para lá has-de voltar todos os seres vivos nascem e morrem, eu seu que o que escreveste é linda poesia.
    Beijos
    Santa Cruz

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  6. ¨É tarde para não morrer já que se nasceu¨

    esses versos traça a geometria do que somos.

    esse poema é lindo demais... !

    um grande beijo , Anna !

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  7. Já escrevias tão bem há 12 anos...
    O poema é fabuloso. Parabéns pelo talento que ele revela.
    Beijos, querida amiga Anna.

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