domingo, 3 de março de 2013

Silêncio




O vento acaricia a pele  fria
Meus cabelos, nunca mais teus
A noite atravessa minha alma
Há revolta saída da boca
Nenhuma palavra sua
Silêncio

Se fosse possível
Nascer de novo
Criar outra vida
Curar a ferida

É tarde
Eu recito
Tua memória
Um desejo incontido de juntar-me a ti
Decompor tudo que fomos antes

Tornei-me sombria
Uma sombra
Tua

O vento acaricia minha pele
Na desordem de alma
Te encontro e te peço
Leve-me
Para os lugares que nunca fomos juntos
Escolhe o caminho
Sou alma leve de novo

Calo-me
Que o silêncio para sempre nos envolva

Anna Amorim, 2011

9 comentários:

  1. Para ouvir passar o vento, já vale a pena viver.

    O silêncio? Para ouvirmos passar o vento....

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    1. JP,
      Silêncio pleno de vozes interiores.
      Grata pela presença sempre!

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    1. Assis,
      O silêncio fala aos poetas e nos enleva a todos.
      Grata pela presença

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  3. Silencio benfeitor de todos os pensamentos, organizador das ideias e de novos princípios! Em segundos se viaja da nostalgia para o futuro imenso de possibilidades!!

    muito bom poema, gostei bastante!!
    Artur César

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    1. Artur César,
      às x é preciso o silêncio para poder nos ouvir e ao outro.
      Bom ter tua leitura reflexiva, sensível e perspicaz de volta por aqui.

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  4. levou-me...

    que lindo, Anna!

    feminino canto em recanto de saudade...

    um beijo.

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    1. Eleonora Duarte,

      Bom saber qdo tocamos a um outro, com nossas palavras poder alcançar outra alma.
      Um beijo

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  5. Aluisio,
    Palavras que nacem em nós e alcançam o outro e se enlevam juntas formando um nós, uma comunidade que se abre ao sentir, tão restrito na contemporaneidade.
    Grata pelas palavras sensíveis.

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