domingo, 15 de fevereiro de 2015

Soneto De Carnaval - Vinicius de Moraes


Distante o meu amor, se me afigura 
O amor como um patético tormento 
Pensar nele é morrer de desventura 
Não pensar é matar meu pensamento. 

Seu mais doce desejo se amargura 
Todo o instante perdido é um sofrimento 
Cada beijo lembrado uma tortura 
Um ciúme do próprio ciumento. 

E vivemos partindo, ela de mim 
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos 
Para a grande partida que há no fim 

De toda a vida e todo o amor humanos: 
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo 
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

Oxford, carnaval de 1939

6 comentários:

  1. Amiga Anna, eis nosso imortal Vinicius. Alguns ainda o chamam de poetinha! Veja só, o cara foi um poetaço.
    Agradeço, aqui, tua visita ao meu modesto espaço. Tenhas uma linda semana.

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  2. A poesia de Vinícius é sempre um excelente refúgio, sobretudo no carnaval, ainda que sejamos um ativo participante dele.
    beijos, Anna!

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  3. Gosto da poesia do Vinícius e este poema não foge à regra.
    Belíssima escolha.
    Feliz por te reencontrar, querida amiga Anna.
    Beijo grande.

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  4. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens é um bom blog,gostei de o conhecer é daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
    Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido também o seu blog.
    Minhas saudações.
    António Batalha.
    Peregrino E Servo

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