domingo, 31 de outubro de 2010
Além do céu, além da terra - Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Meu amor
anda muito ocupado.
Demora.
Quando chega
ocupa-me espaços
do corpo e da alma.
(Anna Amorim, set, 2009)
domingo, 24 de outubro de 2010
O Meu Amor - Chico Buarque
Ele é o meu rapaz
Meu corpo e testemunha
Do bem que ele me faz
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Tuas Mãos
sábado, 16 de outubro de 2010
An(seios)

Dos intervalos tenho a busca da imagem-memória
Ainda assim falta você nos meus sentidos.
Um perfume
Uma maciez
Uma promessa
Ocupando a morada do meu desejo
Espaços vazios,
folhas em branco
e poemas do anseio.
Anna Amorim,1998

Em Teu Crespo Jardim - Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Edição Comemorativa do TerrorZine

Porque a vida é feita de amor e dor, luz e trevas, construção e destruição, acalanto e horror... E a possibilidade da escrita!
Apresento aos que participaram comigo desta edição, aos amigos poetas e escritores que conhecem meu trabalho como poetisa e aos leitores que acompanham meu trabalho a maior e mais recente edição do TerrorZine promovida pelo portal Cranik, com renomados autores e iniciantes trabalhando histórias sombrias com habilidade e arte.
Desejo uma boa leitura a todos e aguardo comentários.
www.divulgalivros.org/terrorzine21.pdf
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Poema Obceno
domingo, 3 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
A Causa do Desejo
prazeres e dores
espasmos e sussurros.
Depois de viver todos os outros
e mais ainda, revivê-los.
Lembrar-te o rosto,
o corpo,
a voz.
Meus receios,
Minha verdade frágil.
Quando todo receio é pouco,
é a liberdade.

Teu nome é meu sussurro.
Teu corpo minha vertigem.
Desejar-te minha liberdade presa da tua imagem.
Causas-me desejo e escrita.
Abandono e sonhos
e, mais ainda...
Anna Amorim, 1998
sábado, 25 de setembro de 2010
O que é específico da mulher?

Seu andar convidativo...
Uma ameaça, uma promessa?
A possibilidade de abertura de suas ancas
Ser!
O que é específico do seu ser?
Uma umidade antes do gozo,
sua voz aveludada...
Oscilante.
Toda.
Não.
Seus pedidos aflitos?
Mitos?
Ter a princípio amado à outra?
Como falar da mulher sem falar do seu corpo?
Sem cair na sua tentação...
Na ilusão de sua suposta perfeiçao!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Origem
sábado, 18 de setembro de 2010
SER Mulher



Doce
Amarga
Chorosa
Engraçada
Nervosa
Suspiro
Suspende
Suspense.
Pegajosa
Escorregadia
Preocupada
Assustada
Aterrorizada
Serena
Tardia
Endurecida
Seca
Umedecida
Fria
Quente
Triste
Sombria
Serena
Enigma
Suspende
Suspiro
Doce
Suave
Eteréa
Carnal
Fascinante
Falante
Atordoante
Inebriante
Estando
Sendo
Compondo
Cedendo
Tecendo
Querendo
Desejando
Sendo
Ultrajante
Intrigante
Suspense
Suspiro
Doce
Mulher.
A escrever
Ao SER
Mulher.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Beijar-te
e sorvo tua língua,
saliva e volúpia.
Onde o desejo do gozo rege as leis
dos quereres indizíveis.
Quero mais que um começo,
quero que chegue no meio
e dentro de mim conheça uma nova vida.
De lembranças de prazer e gozo,
de ternura e eternidades
nunca antes vividas.
Escreva outros caminhos no meu corpo.
Leio você.
Durmo com você.
A vida transcorre e sigo por nossos dias.
sábado, 4 de setembro de 2010
Uma mulher


segunda-feira, 12 de julho de 2010
Corpo a corpo

A Liberdade é Azul
Perda, dor, luto. Temas dos quais procuramos distância, mas que assaltam quando nos visitam inesperadamente.
Um acidente, uma mulher acorda no leito de um hospital. Primeira tentativa a procura da própria morte. Diante da perda da filha e do marido, mas sobrevive e terá que enfrentar a dor da ausência. Antes procura livrar-se de tudo que possa remeter a vida anterior ao acidente. Julie (Juliette Binoche) ao sair de sua convalescença decide vender as propriedades, os móveis, desprender-se das lembranças. Depara-se com um pirulito da filhinha na bolsa que engole desesperadamente na tentativa que aquele objeto desapareça, mas a dor não desaparece, acompanha.
Como apagar a lembrança do amor compartilhado, a lembrança da filha? Recordações que tecem a sua vida.
O filme trata da verdade da nossa impotência. Seja a morte ou o abandono, nos deparamos com a barreira intransponível diante da fatalidade ou do desejo do outro, mas é nesses caminhos que podemos nos re-encontrar, uma vez que sem os sustentáculos imaginários fornecidos por um outro, encontramos-nos desnudos em nossa essência.
Uma supresa revela , nem tudo em que acreditava era verdade. Enganara-se, enganara outros e fora enganada. Uma sinfonia inacabada na qual ela e o marido trabalhava antes do acidente reverberará em seus ouvidos insistentemente.
Faz sexo com o homem que sempre estivera apaixonado por ela e lhe diz: “Agora sabe sou uma mulher comum, tusso, tenho cáries." Ela busca agora a verdade.
Sozinha sente o sabor do sorvete com café, em outro momento deixa que os raios solares do inverno aqueçam seu rosto, a pele branca, pequenos prazeres, volta assim a vida lenta, real, não nega mais quem é. Volta a ser. Apenas SER.
Anna Amorim, 2010
sábado, 12 de junho de 2010
Feliz Dia dos Namorados

Ao assisti ao filme, “Foi apenas um sonho” do diretor Sam Mendes, pensei o que destruiu aquele casal? Eles se apaixonam e na cena seguinte já os vemos comprando a casa. Levamos um susto quando sabemos, primeiramente pelas fotos, que tem filhos.
Não devemos comprar, aceitar, sonhos, precisamos criá-los, reinventá-los. Sonhos não são o contrário da realidade, sonhos são para serem vividos.
Não estou falando de idealização, não há relacionamentos longos sem discussões, a não ser que um omita do outro o que lhe desagrada e vá acumulando lixo emocional. Assim como brigas constantes podem destruir um relacionamento. Idealização é imaginar que o outro é o que não é e construir sonhos em cima desta ilusão, estes sim não realizáveis. Mas quando sonhamos a partir do que o outro é, com suas potencialidades, limites, sexualidade e possibilidade de nos confortar, os sonhos se tornam presentes, no aqui e agora.
Quando somos jovens nos vendem uma só verdade, namorar, casar, ter filhos e envelhecer ao lado desta pessoa. Mas ainda somos tão imaturos para escolher. Mas há ânsia em amar e construir. Não há nada errado nisso. O que importa é que a escolha seja reiterada. Amor é construção.
Quando maduros se já tivemos a experiência da convivência conjugal e nos separamos, são tantas as possibilidades. Temos experiência, mas também decepções, cicatrizes e alguns feridas abertas. Vamos ter que nos cuidar, estando ou não em uma relação até para mantê-la. Estar conscientes, evitar a repetição ao invés de apenas temê-la, aprender a pedir perdão, perdoar-se, abrir os braços de novo para um outro seja uma relação significativa mais que será passagem ou que seja para toda vida, o que importa é que seja escolha.
Poder escolher é uma dádiva, é liberdade.
Sou passional por natureza escolho o presente. Hoje ele é a minha vida, o passado foi, a futuro será.
Por ser passional não acredito em relacionamento amoroso/sexual sem romance. Acredito que casais casados há 30 anos podem namorar, como sabiamente os amantes sempre o fazem pelos limites que tem na relação, melhor não apenas acredito como conheço casais que o fazem. Confio mais na relação destes últimos. Grande arte. Conheço alguns casais mais novos que estão criando filhos ainda pequenos, outros já com filhos adultos, escapando para motéis, dando presentes surpresas, mantendo o desejo e convivendo com as dificuldades do cotidiano.
Não podemos anular nossa sexualidade, por isso se amamos alguém, mas deixamos de desejar há a triste solução de manter vidas cindidas, mentira, tudo que não cabe ao amor.
Se há desejo, o amor às vezes chega de surpresa ou não. Aliás, parece de surpresa, mas não é. Foi gestando ao poucos enquanto enquanto cuidavamos da relação porque era prazerosa.
Seja como for, não deixe hoje, amanhã e depois de reiterar seu desejo, carinho, admiração aquele que hoje é seu parceiro na cama e fora dela, seja que forma tenha esta relação.
A felicidade existe sim, é quando minha boca encontra na do meu homem um prazer molhado que é apenas o começo....
terça-feira, 25 de maio de 2010
FIAT VOLUNTAS TUA II

É com prazer que divulgo a Antologia FIAT VOLUNTAS TUA II, trabalho do qual participo.
Nesta edição, foram selecionados 21 contos que sempre se fascinam pela dualidade do tema Anjos e Demônios.
"Em seu segundo volume, FIAT VOLUNTAS TUA" (do latim: seja feita vossa vontade), fala sobre anjos e demônios. Mas não espere encontrar nessas linhas guerras entre serem alados que estão de lados opostos do mesmo tabuleiro. Estes contos buscam as respostas escondidas nos mais escuros cantos do céu e nas profundas entranhas do inferno, onde, por muitas vezes, encontramos mais e mais perguntas: - Será que somos apenas capricho do nosso criador." (Mônica Sicuro e Rúbia Cunha)
Anjos e demônios povoam nossas mentes e corpos. Somos ambos divididos. Entre Eros e Thanatos e de tantos enganos somos feitos.
Segundo o pai da psicanálise, Sigmund Freud, estamos determinados pelo nosso inconsciente, e tornar o inconsciente consciente é uma das árduas tarefas da psicanálise e minha como psicanalista. Lembrando que a tarefa por completa é impossível.
Como escritora, mulher e humana estou como todos lutando contra meus demônios internos, velhos companheiros e buscando a liberdade de escolha.
O que é o livre arbítrio? Uma vez estamos presos aos nossos conflitos? Minha busca é pela livre escolha, guiada pelo meu desejo re-criando minha história, do passado ao inédito. A meus leitores ofereço um pouco desta luta interna de todos nos em forma de um conto.
Ângela (fragmento)
Ele abriu suas asas sobre mim. Meu anjo protetor, meu homem.
“Ela o encontrou. Ela estava feliz, embora evitassem conversarem sobre o que aconteceria quando ele cumprisse o que estava determinado. Como poderiam unir-se na realidade? Haveria uma nova realidade? Ele poderia continuar com ela. Não, ele avisou no começo quando se revelou a ela em sua forma real que não estava aqui para permanecer.
Ela era apenas uma mulher o que poderia contra os desígnios do Criador. Permanecia ainda assim ao seu lado.”
Confira o video do livro:
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O amor em endereços separados

A idéia de casamento está culturalmente relacionada a morar juntos, ter filhos e dividir cama, mesa e banho. Mas em uma sociedade onde o número de descasados aumenta a cada dia, homens e mulheres maduros que já se uniram em matrimônio, tiveram ou não filhos, vivem sozinhos e se acostumaram a isso, descobrem uma nova modalidade de relacionamento: o casamento em casas separadas, com ou sem papel passado. Bem diferente da moda antiga, não? Recentemente o dito popular, “amigado com fé casado é”, tornou-se frase corriqueira para muita gente que não se faz de rogada. Muitos optam pela união sem passar pelo contrato oficial, principalmente na segunda experiência. Mas uma das questões que se coloca é: chamamos ou não de casamento uma relação entre duas pessoas que se comprometem em ter uma vida em comum sem morarem juntos? Qual seria o parâmetro para dizer se estão casados há “X” tempo? O fato é que duas pessoas que não mantêm relação sexual e/ou amorosa com nenhuma outra, além do compromisso entre si, um casal que se relaciona e se preocupa com a existência um do outro - o que inclui doenças, fatalidades, dificuldades inúmeras e conflitos -, para além dos momentos felizes, não são namorados, nem amantes. Entende-se, portanto, que construíram uma nova modalidade de união pós-moderna. Os mais conservadores e os românticos de plantão não conseguem deixar de torcer o nariz e fazem as clássicas perguntas: “Se o casal se ama de verdade, se há boa relação na cama e fora dela, por que não moram juntos?” O ser humano é mesmo complexo. Por isso, o chavão ‘cada caso é um caso’ é sempre o mais sensato. Podemos sinalizar alguns dos inúmeros motivos para a escolha do novo modelo de “casamento”, tais como: algumas pessoas estão bastante habituadas a morar sozinhas. Quando embarcam em uma união estável não sentem a necessidade de dividir o mesmo teto. Outras viveram as inconveniências da vida a dois e não querem repetir a experiência - acreditam que preservam melhor a relação desta forma, bem como a magia sexual. Também existem aquelas que não querem mais ter filhos, que não sentem a necessidade de se revezarem nos cuidados para concluir a criação dos filhos do primeiro casamento e/ou até assim o preferem. Além disso, uma situação financeira cômoda influencia a decisão de morar separadamente, pois não é preciso dividir despesas. Os casais que optam por essa experiência usam o período em que estão livres para estarem, de fato, juntos. Durante os finais de semana permanecem um na casa do outro, viajam, têm uma convivência em que a qualidade se sobrepõe à quantidade de tempo. Claro que não dá para dormir “de conchinha” qualquer dia da semana que se queira, mas há dias que queremos nos esparramar e dia que queremos ser acolhidos. O moderno pode se justificar assim: uma vida em comum, uma união, casados, casadinhos, juntos e unidos. Uma nova modalidade de se relacionar, de gerenciar o amor, a vontade de estar com o outro, de dividir o tempo com outra pessoa. Sem dourar a pílula, sem julgamento, apenas uma outra possibilidade de conjugar a vida a dois e a vida própria, sem abrir mão do amor.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Mulher

O corpo, puro templo gozozo,
receptáculo de prazer.
Desejantes de verem formas nuas,
ávidos pelo deleite.
Mulher,
Sua voz é de outro tom,
para que não espante mais
o corpo todo um lugar para chegar.
Assustam-se com a ameaça de serem tragados,
sábado, 23 de janeiro de 2010
O Elevador - Danny Marks

Pela segunda vez entrava em um elevador, desde que ficara claustrofóbica em uma brincadeira ruim, na infância.
Com o temor infantil progredindo para o pânico adulto, resolvera procurar ajuda profissional.
Dois anos de terapia e um romance com seu psicólogo haviam feito milagres e caminhava para a cura.
Ainda subia os dois lances de escada que a conduziam aos seus encontros no divã.
Até que Ele comunicou sua mudança para o nono andar e que indicaria outro profissional para atendê-la. Não queria que ela sofresse, disse, e ela aceitou. Sempre aceitava tudo o que ele mandasse, sempre querendo agradá-lo.
Dois meses de desencontros a obrigaram a enfrentar o cubículo macabro. Algumas horas de sistemática preparação de corpo e alma e suportou a subida pelos nove andares. Olhos fechados e coração pulsando entre o medo e a alegria de superar-se e comunicar-Lhe a novidade do seu progresso.
Ninguém na recepção, porta do consultório fechada, não trancada.
Uma brecha pequena e um olhar furtivo, o sorriso definhando no rosto ao ver e ouvir os sons que denunciavam previamente o tratamento que era dado no divã. Corpos nus entrelaçados.
Ali no “seu divã” viu o monstro ressurgir, o mundo girou e escureceu à sua volta. Fugiu entrando na porta que se abria e o elevador tragou-a em sua descida.
Quando se apercebeu onde estava as luzes apagaram e o elevador parou. Um simples fiapo de luz iluminando o seu medo vindo de alguma brecha acima.
- Não se preocupe, vou ajudá-la. Deve ter sido uma falha nos geradores, mas logo arrumam.
Ficou paralisada, muda pelo medo, trancada no escuro solitário com um estranho e com imagens a suceder-se na mente. Chorou soluçando, desabando completamente.
- Por favor, não chore. Vai manchar o seu lindo vestido.
Sentiu o toque suave de um lenço em suas mãos. Tateou dedos fortes e ásperos e pegou rapidamente o lenço limpando o rosto.
- Eu queria tanto vê-la... Estava disposto a obrigá-lo a dar-me o seu nome e endereço e depois...Depois castigá-lo por trair você. Tinha que vê-la ainda que ao longe. Foi o destino que a trouxe assim tão linda e me permitiu poder falar-lhe sem medo, uma ultima vez.
Ela sentiu o hálito suave, o carinho nas palavras e soube que ele a amava. Estranhamente sentiu-se segura. Ele suspirou tristemente, a voz embargada.
- Quando abrirem as portas, eu desaparecerei de sua vida. Nada posso lhe oferecer, sou pobre, feio, mas eu...Eu amo você. Desde que a vi no consultório dele, não consigo pensar em outra coisa, só em vê-la, sentir o seu riso.
Ela sentiu o apelo desesperado na voz dele fundir-se às suas próprias necessidades. Todos os seus sentidos e sentimentos em um turbilhão em meio à escuridão e num impulso sua boca procurou a dele.
Desejo reprimido, desespero, caos de sentidos e memórias fundindo corpos em êxtase frenético com a urgência de condenados.
Luz, movimento, realidade superando fantasias.
Roupas arrumadas às pressas, olhar furtivo para o dono daquela alma incomum.
Uma arma guardada às pressas, portas que se abrem e uma fuga prometida.
Ela ainda levou alguns segundos para se recompor e sair atrás dele gritando:
-Vilma, meu nome é Vilma.





















