domingo, 21 de novembro de 2010

PALAVRA DE MULHER por Anna Amorim recebe o Prêmio Dardos





Foi com honra que recebi a homenagem do amigo Luiz Neves de Castro. Confesso que fiquei envaidecida pela indicação, não por menos, reconheço igualmente o trabalho de Luiz como escritor e amante da Literatura. Egrégora: Carrancas Literárias (www.carrancasliterarias.blogspot.com) é rico em indicações culturais e de leituras com a vantagem de termos seu ponto de vista sobre cada tema. 

Quero contar ainda que recentemente PALAVRA DE MULHER completou um ano e estou homenageando meus amigos que me seguem. Penso que este prêmio é para cada um de vocês  que me acompanham e opinam sobre meus escritos, pois são vocês me ajudam a pensar, refletir e são mais um dos tantos incentivos ao meu aprimoramento.

Acredito que o sentido de estarmos aqui e justamente este compartilhar de saberes, sentimentos, numa verdadeira troca-viva!

O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.
“Esse selo foi criado com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”.
Ao receber o prêmio o blog deve também indicar outros blogs.
Aos indicados, para que este incentivo não acabe, peço a vocês que sigam estas instruções:
1) Você deve exibir a imagem do selo em seu blog;
2) Você deve linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;
3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prêmio Dardos;
4) Avisar os escolhidos, claro!

Segue abaixo as páginas que indico para receberem este selo, seja pelo valor cultural, pela audácia e coragem de exporem sentimentos pessoais, seja pelo bom gosto estético ou pelas sensações que me causam ou por tudo isso reunido.

Quem já recebeu sinta-se duplamente homenageado.

Ademir Pascale - “O desejo de Lilith” http://odesejodelilith.blogspot.com/
Afonso Estebanez “Afonso Estebanez e Amigos” http://afonsoestebanez.blogspot.com/
Afonso Rocha “O Fiel da Balança” http://orespirardopensamento.blogspot.com/
António Manuel - “Poesia do Mundo” http://poesiadomundo-amgf.blogspot.com/
António “A minha vida são Palavras!”http://maresia-tua.blogspot.com/
Assis de Freitas - “Mil e um poemas” http://mileumpoemas.blogspot.com/
Danny Marks - “Retratos da Mente” http://osretratosdamente.blogspot.com/
DÉYA – “Decidi Viver” http://andreyawilsimar.blogspot.com/
Dilmar Gomes - “Uma Pitada de Poesia” http://umapitada-de-poesia.blogspot.com/
Everson  Russo - “O Livro dos Dias Dois” http://www.olivrodosdiasdois.blogspot.com/
Gena Maria -“Magia das Palavras” http://magiadaspalavras2.blogspot.com/
Henrique Correia – “Espelho de Narciso” http://henriquecorreia.blogspot.com/
Iâne Mello - “Labirintos da Alma” http://labirintosdaalma.blogspot.com/
Isabelle “Desculpa se te chamo de amor...”http://setechamodeamor.blogspot.com/
Jasanf  -  “Lectando” http://lectandome.blogspot.com/
Lena Machado - “Sensações” http://sensacoes-lena.blogspot.com/
Leonardo B. “A Barca dos Amantes” http://abarcadosamantes.blogspot.com/
Luiza Caetano - “Voz d´água”  http://vozdeagua.arteblog.com.br/
Machado de Carlos - “Machado de Carlos” http://machadodekarlos.blogspot.com/
M. D. Amado - “Verberar” http://verberar.blogspot.com/
Malu Machado -  “Absinto” http://abbsinto.blogspot.com/
mARa - “Horizonte Lilás” http://horizontelils.blogspot.com/
M@ria “Amor feito Poesia”-  http://poesiaseternas2.blogspot.com/
Maurizio “Meus Instantes, Meus Momentos” http://meusinstantesemeusmomentos.blogspot.com/
Natan de Alencar “Tabua e Paixão”-  http://tabuaepaixao.blogspot.com/
Paulo - “Bondearte” http://bondearte.blogspot.com/
Sammael the Morning  Star - “Dark me” http://my-dark-moon.blogspot.com/
Vino Morais “Vinoartes” - http://vinoartes.blogspot.com/
Wanderlen Castanheira - “wcastanheira” http://wcastanheira.blogspot.com/
Úrsula Avner – “Sempre Poesia...” http://ursulaavner.blogspot.com/
Zatonio “Interrogações” http://www.interrogaes.com/

Grata querido Luiz e todos meus seguidores!

sábado, 20 de novembro de 2010

Leitura






















Abra-me.
Sou teu livro.
Não esquecido sobre a estante,
deito sobre ti
e ao teu lado adormeço.
Distante
vivo em tua memória.
Em ti afugento
o cansaço de outras vidas.


(Anna Amorim, nov, 2010)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mulher ao espelho - Cecília Meireles
















Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.



domingo, 14 de novembro de 2010

Dança




És o que anda, 
o que segue meu passar
Rodopia em torno, 
em volta.

Rodopio em torno,
a tua volta
chegada.

E todo encontro é um novo recomeço...

És este entorno, 
retorno, 
Enquanto sou o   lugar ao qual buscas retornar
retomar .

Anna Amorim, nov, 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Soneto XII - Pablo Neruda







Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
Que antiga noite o homem toca com seus sentidos?

Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados.

Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia 

corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Cem sonetos de Amor, Pablo Neruda

sábado, 6 de novembro de 2010

Tu



Meu corpo é pura abertura
quando te encontro.
Minha nudez
oferta.

No meu centro vens morar.
Anjo e demônio.
Tudo que és,
foi e
serás.


(Anna Amorim, 0ut, 2010)



domingo, 31 de outubro de 2010

Espera




Plácida me encontro em estado de espera.
Tal qual um livro permito que me abras
e leia minhas palavras.
Palavras doces ou sôfregas.
Palavras que habitam
o íntimo que desejas adentrar a cada vez.


Eu escrevo com o corpo
assim como a tudo que faço.
Sou este espaço que adentras
Teu tormento e consolo.


E nas horas ditas vazias
preencho-me com  palavras
que remetem a nossa história
tanto de ti em ti...
Humanidades
Reinos
Tormentos
Prazeres
Inquieta me encontro em estado de espera.

Anna Amorim, 2009


Além do céu, além da terra - Carlos Drummond de Andrade




Além da Terra além do céu 

no trampolim do sem-fim das estrelas, 
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar, 
até onde alcançam o sentimento e o coração, vamos ! 



Vamos conjugaro verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Meu amor


Meu amor
anda muito ocupado.
Demora.
Quando chega
ocupa-me espaços
do corpo e da alma.

(Anna Amorim, set, 2009)
                    
                                   
                                                   
                                                                                         
                                      

domingo, 24 de outubro de 2010

O Meu Amor - Chico Buarque



O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele fica toda arrepiada
e me beija com calma e fundo
Até minha alma se senti beijada, ai




O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
Ele é o emu rapaz
Meu corpo e testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas sobre as minhas coxas quando ele se deita,  ai

O meu amor
tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se ele fosse sua casa, ai



Eu sou sua menina, viu?
Ele é o meu rapaz
Meu corpo e testemunha
Do bem que ele me faz


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tuas Mãos





Tuas mãos percorrem o meu corpo
versos minha alma
nua
estou a acariciar palavras
para dizer tudo que realizas.

Vagas pela noite em pensamentos.
Sinto saudades.
Tomo minhas mãos pelas tuas
tenho o gozo e o verso.

Anna Amorim, out, 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

An(seios)

















Anseio por tua pele.
Anseio por mergulhar em teus seios.
Anseio por início de encontros.
Anseio por finais de intervalos de distância.
Deste an(seios) tenho o prazer da espera.


Quisera não ser tão caprichosa a desdenhar do tempo
que se assemelha a um
adeus.


Dos intervalos tenho a busca da imagem-memória
Ainda assim falta você nos meus sentidos.
Um perfume
Uma maciez
Uma promessa
Ocupando a morada do meu desejo
Espaços vazios,
folhas em branco
e poemas do anseio.
Anna Amorim,1998












Em Teu Crespo Jardim - Carlos Drummond de Andrade















Em teu crespo jardim, anêmonas castanhas
detêm a mão ansiosa: Devagar.
Cada pétala ou sépala seja lentamente
acariciada, céu; e a vista pouse,
beijo abstrato, antes do beijo ritual,
na flora pubescente, amor; e tudo é sagrado.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Paixão (Corpo)
















Não tens sexo, nem pudor.
És puro ardor que consome.
Não tens reservas, não findas.
Não te basta palavras.
Tens direção e,
logo a encontra.
És corpo,
Queres outro,
queres o corpo.
Anna Amorim, 1997

Edição Comemorativa do TerrorZine




















Porque a vida é feita de amor e dor, luz e trevas, construção e destruição, acalanto e horror... E a possibilidade da escrita!

Apresento aos que participaram comigo desta edição, aos amigos poetas e escritores que conhecem meu trabalho como poetisa e aos leitores que acompanham meu trabalho a maior e mais recente edição do TerrorZine promovida pelo portal Cranik, com renomados autores e iniciantes trabalhando histórias sombrias com habilidade e arte.
Nesta primeira edição que participo, apresento o miniconto: "Onde, as carcaças?"
Desejo uma boa leitura a todos e aguardo comentários.


www.divulgalivros.org/terrorzine21.pdf

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Poema Obceno




















A pureza está no obceno.
Usei preto e anos de luto.
Busquei o branco da folha.
No fim, poema obceno
da umidade que escondes no meio.


(Anna Amorim, 1997)






domingo, 3 de outubro de 2010

Sonhos



















Palavras, imagens, formas, sonhos...
Palavras imagens formam sonhos!





(Anna Amorim, set, 2010)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Causa do Desejo




Gozar todos os gozos até o último.
Viver, todas as aflições.
Desta liberdade já não fujo!

Viver é deixar-me revirar em vertigens
prazeres e dores
espasmos e sussurros.
O último suspiro darei amanhã!
Depois de viver todos os outros
e mais ainda, revivê-los.

Lembrar-te o rosto,
o corpo,
a voz.
Meus receios,
Minha verdade frágil.
Quando todo receio é pouco,
é a liberdade.

Teu nome é meu sussurro.
Teu corpo minha vertigem.
Desejar-te minha liberdade presa da tua imagem.
Causas-me desejo e escrita.
Abandono e sonhos
e, mais ainda...


Anna Amorim, 1998

sábado, 25 de setembro de 2010

O que é específico da mulher?























O que é específico da mulher?
Seu andar convidativo...
Uma ameaça, uma promessa?
A possibilidade de abertura de suas ancas
para passagem de outro ser!
Ser!

O que é específico do seu ser?
Uma umidade antes do gozo,
sua voz aveludada...
Oscilante.
Toda.
Não.
Seus pedidos aflitos?
Mitos?
Ter a princípio amado à outra?

Como falar da mulher sem falar do seu corpo?
Sem cair na sua tentação...
Na ilusão de sua suposta perfeiçao!
Tudo que É.

Anna Amorim, 1998

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Origem



E o sexo foi descoberto!
Quando a mim? Re-crio o amor,quando ele entra dentro de mim, quando repousa em mim.Quando sou EU-ELE. Paraíso que vivo recortado neste inferno que é o mundo contemporêneo.
Para isso, eu vivo.
(Anna Amorim, setembro, 2010)

sábado, 18 de setembro de 2010

SER Mulher



























Suave
Doce
Amarga
Chorosa
Engraçada
Nervosa
Suspiro
Suspende
Suspense.

Pegajosa
Escorregadia
Preocupada
Assustada
Aterrorizada
Serena
Tardia
Endurecida
Macia
Seca
Umedecida
Fria
Quente
Triste
Sombria
Serena
Enigma
Suspense
Suspende
Suspiro
Doce

Suave
Eteréa
Carnal
Fascinante
Falante
Atordoante
Inebriante
Estando
Sendo
Compondo
Cedendo
Tecendo
Querendo
Desejando
Sendo
Ultrajante
Intrigante
Suspense
Suspiro
Doce
Mulher.

A escrever
A desejar
Ao SER
Mulher.

(Anna Amorim, junho, 1998)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Beijar-te



Beijo-te os lábios carnudos
e sorvo tua língua,
saliva e volúpia.

Onde o desejo do gozo rege as leis
dos quereres indizíveis.

Quero mais que um começo,
quero que chegue no meio
e dentro de mim conheça uma nova vida.

De lembranças de prazer e gozo,
de ternura e eternidades
nunca antes vividas.

Escreva outros caminhos no meu corpo.
Leio você.
Durmo com você.

A vida transcorre e sigo
por nossos dias.
Anna Amorim, set,2010

sábado, 4 de setembro de 2010

Uma mulher



















Ela vem sorrateira,
a vida é frágil.
Tento pegar o compasso,
fazer desenho de vida,
mas minhas mãos constroem
espasmos de morte
antecipados.

Tudo.
Os outros.
Eu.
Ele.
O amor.
Nada existe!
Só ela é real.
Se ao menos soubesse a data do nosso encontro...
Por que me faz esperar tanto?
Se há anos te desejo...
Fria,
igual a todos .
Inigualavelmente real.

Durmo mal todas as noites,
mas insisto.
Deveria ir ao encontro dela,
mas ás vezes a vida parece sorrir para mim.
Deixo-me levar
porque desejo que seja verdade.
Uma vez!
Que seja.
Acreditar na beleza de uma flor,
em Deus,
no amor.
Acreditar como criança inocente que nunca fui,
nascer de novo.

Venha prender-se nos meus cabelos,
no dia,
na noite.
Eu sou a Lua.
Eu sou o Sol.
Ofusco com minha luz,
escondo a escuridão.

Silêncio!
Ouço gargalhadas.

Grito.
Sou arvore seca,
palma dilacerada.
Um verso em vão.
Sou dor.
Sou desgraça.
Sou ameaça.
Sou aquela que espera.

A solidão é o máximo que posso chegar.
Ou me diz uma palavra e muda tudo!

Sou a origem do mundo.
Sou a carne do verbo.
Uma pequena menina.
Uma mulher selvagem.
Uma grande mulher.
Uma mulher,
apenas
uma mulher.
Anna Amorim, 2009