domingo, 11 de agosto de 2013

Face e Verso



tempo de não existência
entre afazeres aturdida
sem acolher a palavra

sem lágrimas
sem sal
exausta de enxugar
meus suores e teus medos

sentada no vivido
dormindo sobre o pó dos dias
inconsciente

agora apenas as partes externas
as ruas
a acompanhar meus passos cansados

o movimento do corpo
agitar dolorido

tanto tempo sem sentir
esqueci
face e verso

sem rosto e palavra sigo.

Anna Amorim, 25/05/2013


Um comentário:

  1. Aqui a poesia é sempre um sortilégio. A palavra, ainda que sem tempo para acolhida, sempre se oferece ao seu regaço, com ou sem tempo. E sei que ela é sempre bem-vinda.
    beijo, Anna!

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