sábado, 24 de novembro de 2012

Soberanias





O tempo conta tudo perece
Não há prece, crença ou jura que desfaça essa realidade

Olho para cima
Vejo
O soberano
Manchado de cinza seu azul insiste em dizer algo
Tento ouvir em vão
O tempo ao falar  a verdade ensurdeceu-me

O tempo calou-me

No silêncio das horas
A solidão diz do fim do dia
Do amor
Da vida
Durmo o sonho
da morte
antecipada.

Anna Amorim

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Primeiro Concurso De Prosas Poéticas


Queridos amigos,

No mês de outubro participei do primeiro 1º Concursos de Prosas Poéticas elaborado por iniciativa do amigo e escritor J.R Viviane. 
Abaixo o poema com o qual tive a honra de configurar desta iniciativa. Para conhecer os demais autores participantes clique no banner acima e conferir minha participação nas fotos abaixo.
Aproveito para agradecer e elogiar João Roberto pelo cuidado e empenho na aproximação e divulgação dos autores neste nosso espaço virtual.
No mês de dezembro o Vendedor de Ilusões estará divulgando o 1º Concurso de Prosas e Contos. Confiram!!!


“Folha Rasgada”

Pensei jogar todas palavras numa folha,
mas todas eram poucas.
Falas, fraturas, falhas, pinturas,
Adorno.
Pensei, depois, rasgar todas as folhas.
Na borda de cada a pele fina rasgada.
Nesta, melhor que todas as letras,
a verdade.
O ar que faz silhueta no rasgo-folha se expressa
melhor que impróprias palavras.
Fazendo a borda estremecer sutilmente...
Sacudo a folha que trepida sua extremidade num
êxtase de medo.
Medo de deixar de ser a razão se sua borda!
Boca fala menos que demanda.
Mando calar-me
e minha mão.
Finalmente que eu rasgue essa folha.
Deixe a malícia de escrever em folhas puras, vorazes. A malícia de ser mulher e querer ter todos os prazeres.
Danar de danar-se
Ser danada
e insinuar-me em cada espaço entre as palavras.
Ah, palavras nunca se ajustam,
mas bem que me servem
na bandeja!
Arqueja arcanjo meu anjo esqueci o seu nome
Está impaciente ou nada entende?
Logo explico, estou escrevendo rasgado sobre a
folha que nunca rasguei!
Sou mulher teimosa.
Amo as palavras apenas na medida que o todo do silêncio é impossível.
* * * * *
Anna Amorim
Direitos Autorais Reservados ®


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sentidos concêntricos

 
















do centro emana mares
deixo-me
de certo,
tua carícia, seta
aponta-me
vertigens.

Anna Amorim, 2012

Sedução - Adélia Prado



A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro,
levanta a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus, me deixa desesperar.
Ela responde passando a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.

sábado, 10 de novembro de 2012

Capturar Versos - Versão II



Este HaiKai de minha autoria foi retrabalhado por Celso Ribeiro como poema concreto.
Confiram este e outros trabalhos dos meus amigos escritores em Escritores na Oficina

Capturar Versos



fome de aranha
poética armadilha
tecida na teia.

Anna Amorim, 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Registro de pele





um nó de coração sombrio apieda-me
desata minhas pernas
deserta estive ontem
hoje quero tua escrita
ferro
fogo
inventa a mulher que sou.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

PALAVRA DE MULHER recebe pela Segunda Vez o Prêmio Dardos


Queridos amigos,

Com grata satisfação dia 31 de outubro fui agraciada pela 2ª vez com a Prêmio Dardos. Desta vez pelo escritor Danny Marks, editor do Retratos da Mente
Agradeço enormemente a ele, pelo carinho e reconhecimento do meu trabalho ao longo do meu trajeto pelo mundo das Letras e no PALAVRA DE MULHER e a todos que me acompanham. São vocês que me impulsionam a continuar, apesar dos inúmeros papéis que desempenho na vida, dedicando com prazer tempo a arte das escrita neste campo aberto ao outro que é a internet.

Recentemente (23/08/2012) PALAVRA DE MULHER completou  três anos e rendo minha homenagem aos amigos que me seguem. Este presente é para cada um de vocês  que acompanham e opinam sobre o meu trabalho, pois são vocês que me ajudam a pensar, refletir e são mais um dos tantos incentivos ao meu aprimoramento.
Obrigada e parabéns!

Informações sobre o SELO/PRÊMIO
O Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade.
No ano de 2008 concedeu no seu blog Legendas de "EL Pequeño Dardo" o primeiro Prêmio Dardos a quinze blogs selecionados por ele. Ao divulgar o prêmio, Zambade solicitou aos blogs premiados que também indicassem outros blogs ou sites considerados merecedores do prêmio. Assim a Premiação se espalhou pela Internet.

Cada ganhador do selo deve continuar a fazer premiação (se quiser, é claro) aos blogs que por ele considerar merecedores, seguindo as regras a pedido do criador do selo:
 

1. Exibir a imagem do selo em seu blog.
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outros quinze blogs a quem entregar
o prêmio dardos.
4. Avisar os escolhidos.

MEUS PRESENTEADOS:


A.C Rangel - Alma Tua
Arnoldo Pimentel -  HaiKaiNosVentos  
Assis Freitas Árvore da Poesia
Bípede Falante -  Bípede Falante
Dade Amorim -  Inscrições 
Dilmar Gomes - Uma Pitada de Poesia
Doce Rachel - O que Cintila em Mim
Eleonora Marino Duarte -  Versos e Idéias 
Filipe Campos Melo - Porta-Sonhos 
Joelma B. - Transfigurações
J.R Viviani - Vendedor de Ilusão
Luiz de Castro Neves - Egrégora: Carrancas Literárias 
Moises, poeta - A Biografia do Fogo
Nilson Barcelli - Nimbypolis
Paulo Franscico - Da Varanda da Minha Casa


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Participação no 1º Prosas Poéticas


Queridos amigos,

No mês de outubro participei do primeiro 1º Concursos de Prosas Poéticas elaborado por iniciativa do amigo e escritor J.R Viviane. 
Abaixo o poema com o qual tive a honra de configurar desta iniciativa. Para conhecer os demais autores participantes clique no banner acima e conferir minha participação nas fotos abaixo.
Aproveito para agradecer e elogiar João Roberto pelo cuidado e empenho na aproximação e divulgação dos autores neste nosso espaço virtual.
No mês de dezembro o Vendedor de Ilusões estará divulgando o 1º Concurso de Prosas e Contos. Confiram!!!


“Folha Rasgada”

Pensei jogar todas palavras numa folha,
mas todas eram poucas.
Falas, fraturas, falhas, pinturas,
Adorno.
Pensei, depois, rasgar todas as folhas.
Na borda de cada a pele fina rasgada.
Nesta, melhor que todas as letras,
a verdade.
O ar que faz silhueta no rasgo-folha se expressa
melhor que impróprias palavras.
Fazendo a borda estremecer sutilmente...
Sacudo a folha que trepida sua extremidade num
êxtase de medo.
Medo de deixar de ser a razão se sua borda!
Boca fala menos que demanda.
Mando calar-me
e minha mão.
Finalmente que eu rasgue essa folha.
Deixe a malícia de escrever em folhas puras, vorazes. A malícia de ser mulher e querer ter todos os prazeres.
Danar de danar-se
Ser danada
e insinuar-me em cada espaço entre as palavras.
Ah, palavras nunca se ajustam,
mas bem que me servem
na bandeja!
Arqueja arcanjo meu anjo esqueci o seu nome
Está impaciente ou nada entende?
Logo explico, estou escrevendo rasgado sobre a
folha que nunca rasguei!
Sou mulher teimosa.
Amo as palavras apenas na medida que o todo do silêncio é impossível.


* * * * *
Anna Amorim
Direitos Autorais Reservados ®

domingo, 28 de outubro de 2012

Nudez



Vestida pela nudez das palavras
não me vês.
Apenas constrói imagem
na qual impossível tento habitar.

Anna Amorim, 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Tua verdade




Veja na sola do teu sapato 
vestígios de lugares vazios, 
desgastaram-lhe a esperança de vida.

Minha vida
veja
não sou mais a mesma
e as linhas de expressão a marcar meu rosto 
não dizem toda dor.
Silenciam

Diga
Uma palavra que vejo nos teus olhos cansados chorar
Não temas as palavras
Quero tua verdade.

Anna Amorim, 2012

Morreres




Mata-me a sede,
tua saliva.
Mata-me a fome
tua  mordida
Mata-me aos poucos
cada despedida.

Anna Amorim

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Como se fosse




Não há espaço fora
dos braços
aconchego, sons tardios.
Viajemos no sonho hoje
a plantar flores no escuro da alma.


Haverá tempo?

Anna Amorim, 12/10/2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Efemeridades da Rosa




Rosa Bela
Um desabrochar, vermelho
Paixão
Se tiveres cautela tuas mãos não firo

Rosa Frágil

Igual a rosa
No ferir dos espinhos
a proteger-se

Rosa Frágil II

Vida de beleza farta
Desde cedo
Desde tudo que desabrochou
Em rubro desejo

Uma vida de efemeridades
E seu despedaçar

Faz-de-conta da Rosa

O cravo brigou com a rosa
Ele saiu ferido
Ela vitoriosa



Anna Amorim, 24/08/2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Elegia


Necessidade de chuva
chorar tempestades.
No teu colo
re-
nascer.

Anna Amorim, 29/09/2012

Uma Cena - Olga Savary


Vês acordada como em sonho
o sonho mau tal fosse belo
— o belo horror do rea
que nem consciência nítida
ou lúcida, clara, exata,
não como é visto sol a pino
ou através da água,
como quem vê dentro do mar
ou através de um vidro fosco,
mais, no fundo de um espelho,
não o que mostra a imagem
mas aquele que a deforma
inteiro fora de foco.

Olga Savary


En Nós - Danny Marks

Ontem quando não havia amanhã
no tempo que em “hoje” escorria
sombras insones de dias,
não, não era eu quem dormia.

Depois, com sua ajuda,
andando claudicante
com primeiros passos
fui avançando, sempre adiante.

Mundo, mundo, vasto mundo
Que nome tenho?
E agora? José?
Manoel? Lino, talvez?

Não importa mais quem sou
Todos em um, sonho
Um em todos, exemplo
Mundo sem fim
No fim, motivo de tudo
Por fim, juntos, nos justificamos
No instante de nós
Ler...