sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Como se fosse




Não há espaço fora
dos braços
aconchego, sons tardios.
Viajemos no sonho hoje
a plantar flores no escuro da alma.


Haverá tempo?

Anna Amorim, 12/10/2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Efemeridades da Rosa




Rosa Bela
Um desabrochar, vermelho
Paixão
Se tiveres cautela tuas mãos não firo

Rosa Frágil

Igual a rosa
No ferir dos espinhos
a proteger-se

Rosa Frágil II

Vida de beleza farta
Desde cedo
Desde tudo que desabrochou
Em rubro desejo

Uma vida de efemeridades
E seu despedaçar

Faz-de-conta da Rosa

O cravo brigou com a rosa
Ele saiu ferido
Ela vitoriosa



Anna Amorim, 24/08/2012

domingo, 30 de setembro de 2012

Elegia


Necessidade de chuva
chorar tempestades.
No teu colo
re-
nascer.

Anna Amorim, 29/09/2012

Uma Cena - Olga Savary


Vês acordada como em sonho
o sonho mau tal fosse belo
— o belo horror do rea
que nem consciência nítida
ou lúcida, clara, exata,
não como é visto sol a pino
ou através da água,
como quem vê dentro do mar
ou através de um vidro fosco,
mais, no fundo de um espelho,
não o que mostra a imagem
mas aquele que a deforma
inteiro fora de foco.

Olga Savary


En Nós - Danny Marks

Ontem quando não havia amanhã
no tempo que em “hoje” escorria
sombras insones de dias,
não, não era eu quem dormia.

Depois, com sua ajuda,
andando claudicante
com primeiros passos
fui avançando, sempre adiante.

Mundo, mundo, vasto mundo
Que nome tenho?
E agora? José?
Manoel? Lino, talvez?

Não importa mais quem sou
Todos em um, sonho
Um em todos, exemplo
Mundo sem fim
No fim, motivo de tudo
Por fim, juntos, nos justificamos
No instante de nós
Ler...

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Oficina de Criação Poética


EM TEMPO!

Amigos, em tempo quero contar que estou fazendo a Oficina do Edson Cruz, convido a todos que moram em São Paulo a conferir o conteúdo.

O que é a poesia? Partindo da questão que ele fomentou e instigou vários poetas a responder, o escritor e editor do Portal Musa Rara, Edson Cruz, elaborou uma oficina que tem como centro a criação poética abordada na perspectiva triádica que a fundamenta e a justifica: o poema, a poesia e o poeta.
O curso é formado sobre dois eixos:

1. Características da poesia: do que é feita? (material); Com o que se parece? (aspectos formais); Para que serve? (causa final); Quem a faz? (causa poiética).
• As distinções fundamentais entre a prosa e a poesia.
• As formas fixas na poesia. A estrutura do soneto. A canção. A oralidade.
• Definições para quem gosta delas. O que os poetas dizem sobre o fazer poético.
• Exemplos práticos (análise e construção). Sonetos de Petrarca, Camões, Augusto dos Anjos e Glauco Mattoso.
• A poesia moderna. Temática. A métrica. O Verso branco. O enjambement.
• Análise de alguns poemas emblemáticos (Ferreira Gullar, Drummond, Manuel Bandeira, Augusto de Campos, Fernando Pessoa, João Cabral, Manoel de Barros, Leminski, Borges)
• Haicai: uma homenagem a síntese. O caso Matsuo Bashô.
• A Poesia Concreta e a Internet.
• Função poética e Jakobson.
2. Exercícios e discussões em grupo: a abordagem do módulo é iminentemente prática, mas sem prescindir dos aspectos teóricos. Escrever é antes de mais nada aprender a pensar e a questionar.
• Como analisar um poema. Exemplos e exercícios.
• O soneto como a forma fixa mais tradicional. Exercitar.
• Transformando um texto de jornal em poema.
• Criação de metáforas. O som e o sentido.
• Concisão. O haicai como exercício poético. A renga.
• Composição de poemas a partir de sugestões imagéticas.
• Poema com repetição de uma definição.
• Fazer um poema do sonho alheio.
• A importância do blogue como exercício de criação.
• O mercado editorial: sua lógica e especificidade.
• Dicas para a primeira edição.

Ao final do curso, será publicada uma coletânea dos melhores poemas compostos pelos alunos pela Terracota editora.
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A quem se destina
Escritores, redatores publicitários, jornalistas e blogueiros interessados em saber mais sobre o gênero e trabalhar intensivamente em seus textos.
Vagas disponíveis: 18
Quando: 2 meses, 8 encontros. Início: 15 de setembro de 2012.
Horário: Sábados, das 9h30 às 12h30.
Investimento: 1+2 R$225,00 (boleto, cheque) ou em 6 vezes no cartão.
(desconto para ex-alunos e pagamento à vista).
Onde: Espaço Terracota – Av. Lins de Vasconcelos, 1886 – Vila Mariana.
(saiba como chegar aqui)
Inscrições e Informações: Clique aqui.

SOBRE O CURADOR
EDSON CRUZ (Ilhéus, BA) é poeta, editor e revisor publicitário. Desgraduou-se em Psicologia, Música , Violão e Letras. Foi fundador e editor do site de literatura Cronópios (até meados de 2009) e da revista literária Mnemozine. Fez entrevistas para TV Cronópios e Programa Bitniks com grandes escritores contemporâneos. Lançou em 2007, Sortilégio (poesia), pelo selo Demônio Negro/Annablume; como organizador, O que é poesia?, pela Confraria do Vento/Calibán; em 2010, uma adaptação do épico indiano, Mahâbhârata, pela Paulinas Editora. Em 2011, lançou seu poemário contemplado com Bolsa de Criação da Petrobras Cultural, Sambaqui, pela Crisálida Editora. É editor do site de Literatura e Adjacências, MUSA RARA e do selo MUSA RARA, em parceria com a Terracora Editora. Mantém blogue Sambaquis.

domingo, 16 de setembro de 2012

O que é poesia?




Amigos,

Hoje quero dividir meu contentamento e encanto surpreso com o livro O que é Poesia? e indicar a leitura para vocês.

Primeiro volume da coleção Os Contemporâneos (em parceria com a editora Calibán), este O que é poesia? traz 45 relevantes poetas brasileiros, portugueses e hispano-americanos em atuação respondendo a essa pergunta simples, mas nem de longe simplória. Surgido como uma provocação em seu blog, onde Edson Cruz propunha ainda duas outras perguntas (sobre o que um iniciante deveria perseguir e quais textos e autores lhe eram referenciais), o questionário resultou na seleção deste livro que, além de um calidoscópio reflexivo do fazer poético, revela-se um documento vivo do panorama literário contemporâneo, propiciando, inclusive, alguns raríssimos encontros para uma mesma edição.

Eis os autores nesta edição: Ademir Assunção, Affonso Romano de Sant'Anna, Amador Ribeiro Neto, Ana Elisa Ribeiro, André Vallias, Aníbal Beça, Antonio Cicero, Augusto de Campos, Bárbara Lia, Carlito Azevedo, Carlos Felipe Moisés, Claudio Daniel, Claudio Willer, Eunice Arruda, Fabiano Calixto, Felipe Fortuna, Flávia Rocha, Floriano Martins, Frederico Barbosa, Glauco Mattoso, Horácio Costa, Jair Cortés, João Miguel Henriques, João Rasteiro, Jorge Rivelli, Jorge Tufic, José Kozer, Luis Serguilha, Luiz Roberto Guedes, Marcelo Ariel, Márcio-André, Marcos Siscar, Micheliny Verunschk, Nicolas Behr, Nicolau Saião, Ricardo Aleixo,Ricardo Corona, Ricardo Silvestrin, Rodolfo Häsler, Rodrigo Petrônio, Sebastião Nunes, Tavinho Paes, Victor Paes, Virna Teixeira, Washington Benavides.

http://www.confrariadovento.com/editora/livro21.htm
http://www.martinsfontespaulista.com.br/ch/prod/314398/que-e-poesia,-o.aspx

                                

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sem Flores ou Encanto



imagem: pintura de Brad Kunkle

Era setembro
Sem flores ou encanto
Desfeita em folhas
Árvore  nua
Solitária régia mulher
Insistia a voz rouca a falar de prantos
Um desespero sem medo
Pois conhecia os verões, varões
Sóis que não aqueciam mais que a efemeridade de um dia
Atravessava ventos e noites
Almejando o fim

Anna Amorim, setembro de 2012

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sem flores




De sombra e umidade
Vivo
Agarrada ao coração de pedra

06/04/2012


Das Pedras - Cora Coralina


Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos. 


Cora Coralina

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O impossível nós


Queria a febre, todo prazer da saliva
Poros desnudos
Depois o descanso no teu peito
O cotidiano feito de café com leite
Manutenção da vida segura

Segura minha mão
Vou atravessar sem olhar para os lados
Distraída e inconsciente do meu desejo obscuro
Descansar eterno que me chama

Chama-me
Estou distante e vaga
Inevitável caminho para te encontrar de novo
E perder
E cansar
Até o fim de toda febre
Impossibilidade do descanso
Cotidiano tenso

Nunca mais quero
Vestir-me de teu olhar
Desvestir minha roupa e alma
Entregar-me ao prenuncio do que vira sempre morte

Quero vida segura
De mãos dadas percorrer caminhos plácidos
Pisar na grama
Sem desistir da febre.

Quero o impossível de nós.

Anna Amorim, 31-07/2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Natureza morta



















 








Desenho: Paulo Martinez

Enquanto meus olhos vagueiam
Natureza morta 
Teu quadro
Aprecia-me, não me toca.

Anna Amorim, 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sobre o Amor I























Acolher lágrimas
Recolher feridos
Suportar gritos
A raiva, o avesso do querer desamparado
Lágrimas umedecem a dor
Feridas, alma aflita.

Anna Amorim, 09/08/2012




Do Amor - Hilda Hilst
























Costuro o infinito sobre o peito
E no entanto sou água fugidia e amarga
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedra, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

sábado, 11 de agosto de 2012

Melancolia I





















Desejo morto, uma forma de ser
nostalgia
cansada de versos, medo do esquecimento.

Anna Amorim, agosto, 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Concepção























Nos traços de tua Mão: eu
caminhava pequenina
Enquanto miravas outra
Vida? Qual era a minha vida?
Eu compunha versinhos  pra te agradar
Enquanto tua Mão gigante me prendia
Um dia escorreguei pelos traços e caminhei
Por todo seu corpo
E
Descobri
Que era meu
O dom
Da vida
O dom
Da palavra

Anna Amorim, abril, 2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Argúcia de voz diante silêncio infligido - Joelma B.


agora que te calei
eu me contemplo

- tempo negado


quando muda me prendias
e teu gesto me ditava -

é bom

este não ir
nem vir em ti

a face da mudez

é generosa
a meus sentidos

deito-me nua

em tua boca fechada
e inscrevo-me ilibada

Joelma B.
Ler mais: http://transfiguracoes.blogspot.com.br/

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O que me faz escrever



É necessário que algo ausente se torne
Presente; um estado de inquietude.
Além do pensamento, tome qualquer forma
sem coerência aparente
Algo tome o lugar de onde vem para seguir
outro caminho; num estado intermediário
É necessário que ocorra uma perda,
que pela sua dimensão torne as palavras insuficientes
É preciso que ocorra um desejo que pela sua intensidade
torne redondas as formas de sua insinuação
Tudo isso se faz necessário e muito mais ainda,
para  que palavras apareçam sobre pele tão clara
Sua luminosidade me ofusca,
deve ser isto que me faz
escrever....     

Anna Amorim, 1997                                                  

segunda-feira, 23 de julho de 2012

sábado, 7 de julho de 2012

Perda



Tempo iluminado
Tempo de espera
Tempo perdido

Templo temo tempo
Todo tempo assim consumido
Consumado
Enquanto toda perda na memória permanece


Anna Amorim
17/01/2012