As lágrimas secaram no rosto. Abriu a torneira e a água ajudou
a se restabelecer, sua tez atordoada cobriu de pó. Tudo ao pó
volta, rápido pensou. Tinha um intuito: despistar dos dias o ar sombrio que
encerrava por dentro. Despistar os olhares da sua dor.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
Das asas o desejo
paira nas costas o desejo de voar
encostas
beber da água as impurezas
a envenenar a vida
habita ainda o anjo imaginário a tecer.
Última réstia sob a porta fechada.
Anna Amorim, 30/05/2013
sábado, 6 de julho de 2013
Olhares distantes
os olhos insistem
na penumbra
anseio
sonham ser
vigilantes do tempo
o aconchego dos abraços
pernas cansadas, lábios secos
olhos insones, choram os dias vazios
na estante da memória dormem
olhos enamorados.
Anna Amorim, 08/05/2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Oração para dormir
Quero nascer de novo
Quero fazer de conta que fui criança
brincar de esconde-esconde
da vida.
Quero uma existência leve
vento e luz.
Tudo que me leva pra sempre.
Anna Amorim, 14/09/2012
domingo, 23 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Realidades
O vento ditava realidades. Nunca mais. O vento em descabelar
aflito obrigava o pentear improvisado dos dedos, a necessidade de correr da
chuva. A língua áspera quando não desejo apenas feria. Ainda assim insistia em
sonhar.
Anna Amorim, 2012
Anna Amorim, 2012
sábado, 1 de junho de 2013
Começo do mundo
teus olhos a ser os meus
espelho a plantar alma
no meu corpo
as paisagens de você
preenchiam as minhas aflições de não-ser
ainda
gerando-me de novo.
no começo do mundo
Anna Amorim, 31.05.2013
Anna Amorim, 31.05.2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Adormeceres
necessito um domingo
para sempre
descansar das agruras da vida
da boca dura
da fala obscura
das difamações dos dias falidos
De quietute e aconchego feito
como o amor sonhado
infindável
necessito apenas para viver
mais uma próxima semana
até ele chegar
inteiro
para sempre.
Anna Amorim, 25/05/2013
sábado, 25 de maio de 2013
Alucinares
alucino imagens
reflexos de luz
penetra as pupilas cansadas
excita retinas
recordar neurônios
subita luz
me afasta da escuridão
e do que sou
ainda assim cega-me
cega-me!
Anna Amorim, 03/04/2013
domingo, 12 de maio de 2013
Eu-Ela (in memorian)
Chamaram-me de filha.
Deram-me o nome dela.
Ela, minha mãe.
Ana.
Tenho esta dolorosa
sensação que a deixei.
Embora minha casa ao
lado.
Agora a casa sem ela.
Antes conheci dor sem
nome.
Agora sei o nome da dor.
O nome é separação.
O nome é morte.
Tenho o nome dela.
Eu, Ana, tua filha
Ana, minha mãe!
Espelho de m´alma.
Anna Amorim, 1999
Homenagem a minha mãe
Ana Maurício de Fairas (in memorian)
Os versos mais lindos perdi para o céu (in memorian)
Ausência
Negro
Branco
Vazio e
Nada
Nada valem meus versos.
Os versos mais lindos perdi para o céu.
Onde estás?
Além da minh’alma
Das marcas que outrora marcaram o meu corpo
E orquestram meu desejo
Onde está a sonoridade da sua voz?
Além do murmúrio do meu ouvido
Onde está seu sorriso, sua alegria que festejava minha chegada
Onde estou se não estou nos lugares que aparentemente chego
Se gritar, me escutas?
Enxuga-me as lágrimas que não chorei
Nenhum verso retrata a essência da sua presença
A dor da sua ausência
De que valem?
Nada
Vazio
Ausência.
Anna Amorim, 1999
Homenagem à minha mãe Anna Maurício de Farias
sexta-feira, 26 de abril de 2013
pai(rar)
pairam seus olhos no fundo das minhas retinas
recriminando atos
sem ação fito espelho
vejo tudo que ignoras em mim.
Anna Amorim, 25/04/2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
A espera da palavra
A palavra perfeita habita
castelos e rituais
inalcançáveis.
Vivo no centro
onde tens medo
de perder a razão
nas vertigens de pensamentos.
Onde nenhuma outra palavra
alcança a boca que engole aos poucos e
devolve a vida
como a outra primeira
Neste re-nascer no corpo
a espera da palavra:
Amor
Anna Amorim, 01/04/2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Todo o Sentimento

(letra Chico Buarque/interpretada Oswaldo Montenegro)
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.
domingo, 14 de abril de 2013
Dez chamamentos ao amigo I & II - Hilda Hilst
I
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
II
Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
II
Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.
Hilda de Almeida Prado Hilst (Jaú,
21 de abril de 1930 - Campinas 4 de fevereiro de 2004) - Foi poeta,
ficcionista e dramaturga. Considerada uma das mais completas
personalidades literárias do Brasil. Formou-se na Faculdade de Direito
da Universidade de São Paulo e começou, ainda estudante, a escrever
poesia, passando mais tarde para o teatro e a ficcção. Recebeu os mais
importantes prêmios líterários do Brasil, entre eles o Jabuti, Cassiano
Ricardo e o Prêmio Moinho Santista.
Dilema
Debaixo das asas aconchegada, acolhida
Recolhida
Presa
Nunca mais voar?
Voar
Céu infinito
Vento frio
Asas cansadas; nenhum lugar para repousar?
Anna Amorim - 20/08/2012
sábado, 6 de abril de 2013
Quem és?
Quem és
para apontar-me falhas?
Falas em nome do quê?
De quem?
Para quem de mim que ainda mora dentro?
Essa criança assustada e irada
será teu fim
o começo de minha liberdade.
Anna Amorim, 05/08/2012
sábado, 30 de março de 2013
Espaços
Era o assombro dos teus olhos vazios
meu chorar
O espaço dos dias
espasmos
Inconsciente andava os dias
a julgar-me acompanhada
enquanto apenas seguia
passo-a-passo
passado
O assombro dos teus olhos vazios
meu chorar
despertou para a realidade
do caminho árduo que repetia
O espaço dos dias
espasmos
mortes antecipadas
entre-encontros
Havia ainda uma última insistência
palavras escolhidas a esmo
pela força daquele que me governa
inconseqüente
Em direção ao teu corpo
prosseguia
espasmos
Anna Amorim,
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)












