segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mensagem de Final de Ano


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."
(Carlos Drummond de Andrade)



A todos que nos acompanharam no ano de 2012 desejamos um Natal de Luz e um Ano Novo pleno de novas inspirações.
Anna Amorim

domingo, 16 de dezembro de 2012

Capturar Versos Versão III































fome de aranha
poética armadilha
tecida na teia.

Anna Amorim, 2012

HaiKai de Anna Amorim trabalhado como poema concreto pelo escritor Danny Marks 
Amor obrigada pelo presente!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Bater de asas





tranca-me a voz o aturdido dos gritos
verbo consagrado a mudez
poesia escansão falseia
a voz rouca e vazia

veja a cegueira companheira do sono se contorce
olhos descobertos pela verdade temem os passos na luz
a escuridão era tua sombra a cobrir meus dias

até que ela me beijou e deu asas
voar de palavras dizem desta nova vida
não lembro da outra

Anna Amorim

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Amanhã



Ontem vi os fios do tempo cortando minha pele
No espelho havia ela a olhar admirada meu medo
pupilas dilatadas pelo amor
Mergulhei nesta escuridão, 
não sai ilesa

Hoje vi os fios do tempo cortarem minha alma
Perdi o medo
Vivia dentro dele como nas tuas pupilas, amor
Era noite e sonhava a liberdade do amanhã

Anna Amorim 
07/09/2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pele



















Mirza Pintor
Pintura a Óleo e folha de ouro 


Não diria nada
Se o silêncio não me levasse  longe  tua boca
Não lamentaria os dias frios
Se me agasalhasse com tua pele
Um veludo e sua serpente
Tua ternura  longe de mim é prelúdio de morte

Quero agasalhar-me na tua pele
Ter meu ventre contra o teu
Gestar tempos
Parir palavras

Agasalha-me com tua pele
Recolhe comigo folhas outonais
Dar-me-ei flor antecipando primaveras

Faz-me voar sobre minha solidão de aço
Eu não te diria nada, mas digo
Minha poesia tua palavra escreve

11/08/2012

sábado, 24 de novembro de 2012

Soberanias





O tempo conta tudo perece
Não há prece, crença ou jura que desfaça essa realidade

Olho para cima
Vejo
O soberano
Manchado de cinza seu azul insiste em dizer algo
Tento ouvir em vão
O tempo ao falar  a verdade ensurdeceu-me

O tempo calou-me

No silêncio das horas
A solidão diz do fim do dia
Do amor
Da vida
Durmo o sonho
da morte
antecipada.

Anna Amorim

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Primeiro Concurso De Prosas Poéticas


Queridos amigos,

No mês de outubro participei do primeiro 1º Concursos de Prosas Poéticas elaborado por iniciativa do amigo e escritor J.R Viviane. 
Abaixo o poema com o qual tive a honra de configurar desta iniciativa. Para conhecer os demais autores participantes clique no banner acima e conferir minha participação nas fotos abaixo.
Aproveito para agradecer e elogiar João Roberto pelo cuidado e empenho na aproximação e divulgação dos autores neste nosso espaço virtual.
No mês de dezembro o Vendedor de Ilusões estará divulgando o 1º Concurso de Prosas e Contos. Confiram!!!


“Folha Rasgada”

Pensei jogar todas palavras numa folha,
mas todas eram poucas.
Falas, fraturas, falhas, pinturas,
Adorno.
Pensei, depois, rasgar todas as folhas.
Na borda de cada a pele fina rasgada.
Nesta, melhor que todas as letras,
a verdade.
O ar que faz silhueta no rasgo-folha se expressa
melhor que impróprias palavras.
Fazendo a borda estremecer sutilmente...
Sacudo a folha que trepida sua extremidade num
êxtase de medo.
Medo de deixar de ser a razão se sua borda!
Boca fala menos que demanda.
Mando calar-me
e minha mão.
Finalmente que eu rasgue essa folha.
Deixe a malícia de escrever em folhas puras, vorazes. A malícia de ser mulher e querer ter todos os prazeres.
Danar de danar-se
Ser danada
e insinuar-me em cada espaço entre as palavras.
Ah, palavras nunca se ajustam,
mas bem que me servem
na bandeja!
Arqueja arcanjo meu anjo esqueci o seu nome
Está impaciente ou nada entende?
Logo explico, estou escrevendo rasgado sobre a
folha que nunca rasguei!
Sou mulher teimosa.
Amo as palavras apenas na medida que o todo do silêncio é impossível.
* * * * *
Anna Amorim
Direitos Autorais Reservados ®


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sentidos concêntricos

 
















do centro emana mares
deixo-me
de certo,
tua carícia, seta
aponta-me
vertigens.

Anna Amorim, 2012

Sedução - Adélia Prado



A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro,
levanta a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus, me deixa desesperar.
Ela responde passando a língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela.

sábado, 10 de novembro de 2012

Capturar Versos - Versão II



Este HaiKai de minha autoria foi retrabalhado por Celso Ribeiro como poema concreto.
Confiram este e outros trabalhos dos meus amigos escritores em Escritores na Oficina

Capturar Versos



fome de aranha
poética armadilha
tecida na teia.

Anna Amorim, 2012

sábado, 3 de novembro de 2012

Registro de pele





um nó de coração sombrio apieda-me
desata minhas pernas
deserta estive ontem
hoje quero tua escrita
ferro
fogo
inventa a mulher que sou.